quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Capítulo 008 ~ A Cartada Final de Henrique

Capitulo 08

A Cartada Final de Henrique



           Não é do feitio da vida dar uma segunda chance. A vida na maioria dos casos é injusta, ela te prova, lota seu caminho de obstáculos para ver se você realmente quer algo ou se não passa de um capricho. Muitas vezes você se encontra perdido, sem saber o que fazer ou pra onde ir, e em momentos assim se existe algo que você quer, realmente não é um capricho. Pois são em momentos assim que estamos mais fracos e dispostos a jogar tudo pro ar, se você deseja que algo ainda assim permaneça, isso é algo quer você quer de verdade. Não devemos nos martirizar por caprichos, às vezes nos matamos de tanta vontade de obter algo, porém quando se quer algo onde você se esquece de vocês mesmo, isso não é um capricho e nem algo que você quer de verdade, mas sim um vício, e vícios são passageiros, porém do mesmo jeito que passam rápido, podem tirar toda a sua vida com a mesma velocidade. Devemos ter cuidado com aquilo que queremos, e muto mais com aquilo que pedimos pra Deus.
          Naquela tarde, Henrique teria que convencer Sabrina de muita coisa, embora fosse desnecessário, pois ela estava esperand por isso a tempos, nunca havia deixado de gostar de Henrique. E mesmo ela também sentindo atração por meninas, era Henrique quem ela amava e queria estar do seu lado pra sempre, nunca tinha sentido algo assim por alguém, e não deixaria isso passar, ia dar o melhor de si por eles. Os dois passaram a tarde toda conversando e trocando beijos, foi uma tarde legal, até que Henrique disse que precisava ir, mas jurou não tira-la um segundo se quer de sua cabeça, e ele realmente não faria isso, então deu-lhe um último beijo e foi-se.

- Onde está aquela mocinha que dizia que seria madura pra perdoar, mas não idiota a ponto de confiar outra vez?
- Mãe? – disse, sorrindo sem jeito – Ah, talvez as coisas não precisem ser assim.
- Tá bom querida, mas vá com calma, lembre-se da última vez, as pessoas nunca mudam
- Por que diz isso?
- É a vida Sabrina. A Vida – disse abraçando-a

        Sabrina entrou pro quarto e se deitou na cama, ficou ali pensando sobre tudo o que acontecera, as coisas nunca estiveram tão bem, e mesmo que ainda não confiasse plenamente em Henrique teria tirado um peso de suas costas perdoado-o e lhe dando uma segunda chance. O telefone toca

- Alô? – Sabrina atende
- Sah, você num tinha prometido que me ligaria hoje depois da aula?
- Marcos, me perdoa? Tava corrido as coisas aqui
- Tudo bem, então, estou te esperando aqui na rodoviária, estou no box 04
            
             Sabrina tinha se esquecido que os dois haviam combinado de que Marcos iria passar o fim de semana em Orizona junto à ela. E agora? Sabrina sabia das intenções de Marcos com ela, mas se esqueceu disso quando se deparou com Henrique pela manhã, como ela diria isso à ele?  Tinha dito tantas vezes que nunca mais daria uma chance a ele de novo e tantas outras coisas ruins a respeito. Então ligou para Henrique e disse que neste fim de semana não poderia vê-lo, explicou que viajaria pra cidade vizinha com seus familiares, Henrique concordou e té lhe desejou uma bo viagem. Claro que Sabrina contaria sobre isso a Marcos, e também não ficaria com ele, pois a última coisa que ela queria era magoar a pessoa que mais bem lhe faria.
E assim as coisas foram. Foi até a rodoviária e buscou Marcos, depois de tanto tempo se falando só por telefone e internet, ele parecia tão mais bonito que da última vez, e seu olhar desta vez estava tão mais forte, tanto que as palavras poderiam ser facilmente despensadas. Riram e brincaram bastante, como era de costume entre eles. Sabrina tinha que inventar coisas ótimas para eles fazerem em casa, como esconder alguém em uma cidade de 14.000 habitantes? Era impossível, mas Marcos não precisava de nada além da presença de Sabrina. Ele passara dois dias ali, no último dia, pediu para que Sabrina o levasse na rodoviária,e  lá ela foi, tiveram sua última conversa pessoalmente no carro. Marcos se queixava de como passou rápido, e Sabrina se perguntava o porque e como seria possível existir um sentimento tão sincero vindo dele, gostaria de ter conhecido-o em outros tempos, mas a vida é mesmo assim, confusa. Quando desceram do carro, Sabrina abraçou-o e deu um beijo no rosto, Marcos por sua vez, desceu sua mão pela sua cintura e com a outra tocou seu rosto e se aproximou, ele estava quase perto o suficiente para beija-la

- Não Marcos – disse, enquanto passava a mão pelo cabelo – Eu não posso
- Por que não pode?
- Eu não quero ser injusta com você
- Mas injusta em quê?
- É o Henrique, pode ser que a gente volte
- Esse cara de novo? Mas e todas as coisas que você disse sobre ele?
- A gente conversou na sexta, pouco tempo antes de você ligar
- Então foi por isso que você se esqueceu de me ligar?
- Também, também tive uns outros problemas com aquela moça que eu comecei a te contar que eu tinha problemas, desde que ela voltou a trabalhar com meu pai...
- Tá legal Sabrina, não precisa se explicar, eu não queria, mas eu sei que você vai se magoar de novo
- Talvez não Marcos, talvez não. Eu acredito que as pessoas aprendam com seus erros
- Exceto você.
- Não fala assim
- Desculpe-me, mas é a verdade
- Me liga quando chegar lá?
- Você vai ter tempo pra me atender?
- Num fala assim, você sabe que eu adoro você e me importo com você.
- Tudo bem Sabrina, mas vai com cuidado.
- Tá certo
          Na cabeça de Marcos, desde quando havia botado os pés em Orizona na sexta-feira ele já considerava aquilo tudo um namoro, e foi frustrante pra ele saber da possível volta com Henrique. Mas ele não podia fazer nada, além de esperar, sabia que Henrique ia pisar na bola, isso era uma certeza. Sabrina ficou ali parada no box de embarque da Rodoviária acenando para Marcos dentro do ônibus, não gostava de saber que de certa forma estava o machucando, e nisso Marcos nem se quer sabia da sua atração por meninas também.

- Sabrina?
- Henrique? O que você faz aqui?
- Vim trazer minha prima, ela veio de Goiânia pra nos ver este fim de semana. E pergunto o mesmo a você também, mas me responde depois que me der um beijo
            Ele a beijou, e ela ficava pensando que Marcos não poderia ver aquilo, pois mesmo sabendo que os dois voltariam, ela não queria que ele visse essa cena, sabendo do que sentia por ela, não queria machuca-lo. Ele saber da possível volta é uma coisa, força-lo a ver isso seria injustiça com ele. Mas ele não viu, o ônibus já tinha saído. Sairam então dali e foram fazer um lanche, tinham muito o que conversar, era perceptivel pelo fato de que mal comiam, ficavam só conversando por horas e horas, depois de comer, uma longa caminhada até em casa, regada de mais conversa.
                  E assim foram nos próximos três meses, foram os três meses que passaram mais rápido na vida de Sabrina, os dias estavam lindos e as noites mais ainda. No dia em que completariam três meses exatos de namoro, Henrique a convidou pra jantar na Pizzaria da cidade, era a única da cidade e o único lugar que proporcionaria uma noite a dois com um pequeno clima de romance, a cidade não tinha nada melhor a oferecer.

              - Sabrina Santos Silva, quero que saiba que eu quero você pra sempre em minha vida, para sempre e como prova disso, quero que aceite isso – disse Henrique enquanto mostrava a ela uma pequena caixa, dentro havia um par de alianças prateadas.
- Henrique – disse surpresa
- Não diz nada – levantou-se da mesa e lhe deu o maior beijo, até então o maior beijo, ali no meio de todas aquelas pessoas.

                 Para Sabrina tudo isso parecia um sonho, passaram uma noite deslumbrante, não havia mais nada que pudesse desejar, Henrique estava ali, pensava que Diana poderia ser um problema e nem foi ... as coisas estavam perfeitas. Foram pra casa, Henrique a levou até sua casa, e a deixou lá, enquanto se despedia, o celular dele tocou porém ele não quis atender, ela até o questionou o porque de não querer atender porém ele alegou não ser nada de importante, disse também que não queria que nada os atrapalhasse.
                 Sabrina então entrou, seus olhos brilhavam e parecia que nunca havia lhe acontecido nada de ruim na vida, tudo estava bem, nesta nite só seria dificil dormir porque o coração estava a mil, parecia até impossivel caber tanta felicidade dentro de uma pessoa só. O dia amanheceu e Sabrina pulou da cama como quem pula na pra vida de peito aberto pronta para enfrentar o mundo, saiu de casa e foi para a escola, parecia uma criança boba, uma criança idiota que enxerga o mundo colorido. Chegou no colégio e foi logo mostrar para todas as colegas o que havia acontecido na noite anterior, porém estranhou o fato de ainda não ter avistado Henrique no colégio. Foi para a sua sala e assistiu aula normalmente, no intervalo também não viu Henrique por ali, tentou ligar em seu celular, porém não chamava e já caia direto na caixa de mensagens, voltou do intervalo e assistiu até a última aula, ao sair da sala estranhou o fato de ainda não ter visto Henrique, foi para casa e o procuraria depois de almoçar, todas aquelas emoções estavam deixando-a morta de fome. Quando chegou em casa se surpreendeu com sua mãe

- Sabrina?
- Pois não mãe
- O Henrique veio procurar você
- O Henrique? Ué, porque será que ele num foi na aula hoje
- Bem querida, não sei, ele veio procurando você minutos depois que você saiu, uns vinte minutos depois, ele deixou um negócio para você, está em cima da sua cama.
- Ah sim, obrigada mãe

Sabrina então foi correndo pro quarto, esqueceu até mesmo da fome. Ao chegar no quarto se deparou com um envelope, logo pensou: “Ah Deus, Henrique e suas surpresas” ... Ele vinha sendo o melhor namorado do mundo tinha três meses, então abriu o envelope, ao abrir ouviu um barulho fino e agudo, esse barulho ficou ecoando na sua cabeça e a cada vez que ecoava seu coração parecia cair um pedaço a mais, ficou olhando para o chão enquanto terminava de tirar o restante do conteudo do pequeno envelope, era um pedaço de papel, aparentemente uma carta, foi abrindo a carta e lendo, isso não poderia estar acontecendo, o pequeno objeto que caira ao abrir o envelope era a aliança, a mesma que Henrique colocou na noite anterior, não dava pra entender nada, então foi ler a carta para tentar entender

       “Sabrina cometemos um erro, na verdade eu cometi um erro. Naquela noite em que nos vimos na rodoviária, eu não tinha ido buscar e nem levar ninguém, e também aquela vez quando me telefone tocou e eu disse a você que não atenderia porque não queria perder aquele momento com você, eu menti. Sei que você deve estar pensando o que na minha vida que não é uma mentira, eu também me pergunto isso todos os dias então nem peço para que me entenda, pois nem eu mesmo me entendo. Queria poder ter falado com você sobre isso pessoalmente, porém eu estou custando ter forças para escrever isso para você. O destino existe Sabrina, nunca deixe de confiar nisso, me sinto hoje a pior pessoa do mundo, mas não posso fazer de conta que nada está acontecendo. Gostaria que soubesse que você é a melhor pessoa do mundo, porém eu tive hoje que ir em busca dos meus objetivos, eu num posso ficar parado vendo o mundo girar, preciso ir atrás dos meus objetivos, e talvez um dia a vida nos permita dividir os sonhos que estavamos traçando. Perdoe-me por ser covarde de ter feito você sonhar, saiba que eu também sonhei, mas sonhos não são suficientes para fazer uma pessoa. Eu não menti quando disse que amava você, você é muito importante para mim e eu nunca vou me perdoar por isso, mas quem disse que a vida é justa. Sei também que você não se importa com isso, mas um dia eu vou voltar, com a minha vida feita e então poderei ser para você tudo aquilo que você merece. Não me lembro de ter falado com você osbre isso, porém uma vez eu amei, amei de todo coração, mas fui deixado de lado por não ter uma boa situaçao financeira, neste dia então prometi para mim mesmo que um dia eu conseguiria superar isso e iria poder jogar na cara de todos aqueles que duvidaram de mim, todos aqueles que disseram que eu não seria capaz. Espero que um dia você seja capaz de me perdoar, espero de todo coração, quero que fique com a minha aliança, para que um dia quando a gente se reencontrar possamos continuar de onde paramos. Entenderei você caso você não queira esperar por mim, esperando ou não, saiba que só você será a eterna dona do meu coração. Jamais esquecerei você, muito obrigado por ter me proporcionado os melhores três meses da minha vida

Henrique Cubas”


Ao terminar de ler, retirou a aliança do seu dedo, juntou-a com a outra, embolou tudo junto com a carta, foi até a cozinha e pegou o esqueiro, correu até o fundo do quintal de casa, sentou-se por ali e enquanto queimava a carta de Henrique prometia a si mesma nunca mais confiar em ninguém, enquanto o fogo queimava cada palavra em sua cabeça o fogo também queimava todas as memórias de Henrique, e em seu coração crescia somente o ódio. Ódio principalmente de si prórpria por ter sido tão inocente, pela segunda vez. Pegou as alianças sujas de cinzas no chão e lembrou-se de quando Henrique falava sobre destino, que todos têm um e que sortudos são aqueles que seguem o seu destino, Sabrina até então acreditava quando ele dizia que ela era o destino dele, que os dois estavam predestinados, mas hoje ela tivera percebido que o destino de Henrique não era ela. Levantou então a cabeça e prometeu nunca mais se apaixonar.

domingo, 1 de abril de 2012

Capítulo 007 - Diana, uma Certa Incerteza

Capitulo 07

Diana, Uma Certa Incerteza

                  Às vezes somos traidos por nós mesmo, nos deixamos levar por medos e por caprichos. São coisas estas que nascem conosco, as vezes nos deixamos levar pelas nossas mais futeis vaidades, é como se algo em nosso DNA desde que nascemos nos fizesse ficar fascinados com o impossivel, com o proibido e com tudo o mais difícil possivel. Podemos sim criar um barreira e dizer que somos diferentes,mas no meio da noite, quando nos deitamos e paramos pra poder refletir sobra a vida, é impossivel não sermos sinceros com nós mesmos, então é quando nos entregamos aos nossos desejos mais intimos, as nossas vontades mais tentadoras. Ainda mais quandose trata de algo carnal, no meio da noite, o frio faz com que nosso corpo se arrepie e peça por algo quente pra poder saciar essa vontade, essa fome humana. O sangue ferve é então é quando não é mais algo que possamos controlar.

                 Com o olhar nos olhos de Diana, Sabrina saiu do real, voltou a 2 anos atrás, era mais uma vez o ano de 2005, Sabrina tinha 15 anos, era uma oite de quarta-feira e o sono não havia fazer-lhe uma visita naquela noite. Lembrava das vezes em que foi falar com seu pai mas ele não estava, então Diana tentava ser legal com a filha do chefe, as duas conversavam por alguns minutos e Diana contava sobre a sua vida cigana, nunca havia se prendido a nada, era o tipo de mulher que não se importava com o mundo e muito menos com o futuro. Com o passar do tempo Sabrina foi pegando uma certa amizade com ela, não era bem uma amizade, apenas um coleguismo talvez.

                 - Eu nunca me importei com o amor, nunca consegui – dizia Diana – Eu tenho um filho, que mora com o pai, e as vezes estranho o fato de eu não me preocupar com ele também.

                 - Eu...

                 - Você o que?

                 - Nada, bobeira minha – sorriu

                  Já tinha ouvido algumas vezes sua mãe dizer que Diana saia com uma mulher, sua mãe sempre captava as coisas com o olhar, e tinha certeza quando dizia que Diana sempre chegava de moto com uma mulher para trabalhar. Então naquela quarta-feira a noite Sabrina iria tentar algo novo. Saiu do seu qaurto e foi em direção ao quarto de Diana, naquela noite haviam feito uma pequena comemoração em casa e Diana havia bebido um p ouco além da conta. Sabrina tinha curiosidade de como seria beijar uma mulher, tinha muita curiosidade de saber como seria beijar uma mulher, sentia isso desde criança, porém sempre tentou de uma certa forma negar isso a si mesma, talvez fosse só uma coisa passageira, mas a cada dia que passava sentia isso mais forte e mais forte. Então naquela noite foi até o quarto de Diana e ficou parada na porta olhando por alguns minutos, Diana dormia e Sabrina se lembrava das vezes em que ficava olhando o suor que escorria no seu pescoço enquanto trabalhava, sua cara séria e o jeito que ela levava a vida, aquela vida cheia de perigo, isso tudo fascinava Sabrina. Ela então entrou bem devagar no quarto e sentou-se nos pés da cama. O edredom não cobria todo o seu corpo, e a pouca luz da lua que entrava pela janela iluminava as partes descobertas de seu corpo, dava pra ver que ela estava arrepiada com o frio que fazia, Sabrina aproximou-se um pouco mais e colocou a mão sobre sua perna, sentiu que aquele frio que fazia com que Diana se arrepiasse passava para ela, as mãos de Diana eram sensíveis e estavam próximas as suas agora, Sabrina pegou em sua mãe se sentia algo muito quente brotar dentro de sim. Sabrina acariciou seu corpo, deu um beijo em sua cintura e desejou que ela acordasse e a beijasse loucamente. Sabrina não beijaria sua boca estando ela do jeito que estava, Diana estava bebada e dormia bastante pesado, Sabrina passou a mão por todo o seu corpo e terminou por colocar sua mão dentro de sua calcinha, sentiu seu corpo , abaixou levemente sua peça intima, e a luz da lua era a única coisa que iluminava o quarto, seus sentidos estavam todos aguçados, foi aproximando-se com os olhos focados em todo o corpo de Diana, seu corpo era lindo, ela era linda, Sabrina já havia perdido as contas de quantas vezes já tivera imaginado aquela cena, quantas vezes havia se perdido a noite em sonhos quentes desejando Diana. Seu sonho era sim se apaixonar por um menino e construir uma história de amor, mas não podia negar a si mesma sua atração por meninas, era uma curiosidade comum, pensava que oderia passar em breve, mas não, pelo contrário, crescia mais e mais a cada dia, e naquela noite ela iria até o fim, mesmo com todo este medo, iria ir até o fim. Depois que tirou sua peça, aproximou-se e tocou-a com a boca, nisso uma adrenalina fora do comum corria peloseu sangue, não havia nada de sentimental nisso, apenas carnal. Sabrina foi então subindo pelo seu corpo, beijando lentamente todo o seu corpo, Diana passou seu braço pelo pescoço de Sabrina a abraçou, Sabrina deu um ultimo beijo leve no seio esquerdo de Diana, foi quando ela abriu os olhos e olhou para ela, Sabrina se sentiu reprimida ao ver que ela a encarava, foi então que percebeu que sua coragem não era tanta, logo saiu em desparada sem dizer uma única palavra. Voltou para o quarto e ficou com a respiração ofegante e aquela vontade de voltar lá e ir adiante, viu que Diana não diria não, mas seu único medo era que depois de tudo que ela contasse para alguém depois, saiu em desparada do quarto morrendo de medo que diana se lembrasse no dia seguinte da visita que recebeu.

                 No dia seguinte, era uma quinta-feira, Sabrina teria medo de encarar Diana, mas estranhou o fato de não ter encontrado-a em lugar algum, foi pra escola e quando voltou ainda não tinha a visto. Perguntou então a sua mãe por ela, sua mãe respondeu que não sabe o porque, mas Diana tinha pedido demissão e ido embora chorando, parecia estar fora de si, e quando foi questionada sobre o porque tinha que ir embora, não quis falar sobre, então Marlene, a mãe de Sabrina respeitaria sua escolha e acreditou que seria algo relacionado ao fato pessoal. Sabrina imaginava que seria sua culpa, mas não sabia ao certo pois sabia que Diana era assim, nãose prendia a nada.

                 - Sabrina? Hey, acorda – Henrique a chamava

                 - Oi – Sabrina voltou a si, tivera viajado profundamente de volta aquela noite – Tá tudo bem

                 Diana continuava parada olhando fixamente para ela

                 - Oi Sabrina – disse – tudo bem com você?

                 - Tá – disse se recompondo – Tá tudo bem sim

                 Dos 3 segredos de Sabrina, esse é o primeiro.

                 Diana então saiu e Sabrina entrou com Henrique, os dois tinham muito a conversar.

Capitulo 006 - Passos no Vão das Palavras

Capitulo 06

Passos no Vão das Palavras

                  Por que as pessoas precisam ser tão mesquinhas o ponto de cair em seus próprios clichês e realmente só darem valor a algo depois de perder? Existem pessoas que passam por nós e às vezes sem se dar conta sugam toda a nossa escência e então juramos que nunca mais se quer lembrar que um dia existiram, e mesmo que não venhamos a ter nada contra tal pessoa, nosso coração leva a sério essa nossa promessa. Algumas pessoas simplesmente não têm noção das palavras que proferem, palavras boas ou ruins, elas causam certas reações em quem as ouve. Então devemos tomar tamanho cuidado com aquilo que sai de nossas bocas, pois existe uma possibilidade de estar cavando uma cova pra alguém que poderia vir a se tornar especial, ou até mesmo para um pedaço de nós mesmos.

                 Naquele dia, Sabrina via seu mundo ir do céu ao inferno dentro de poucos segundos, dentro de uma frase

                 - Bem, falei com meus pais, e como tenho parentes aqui, eles deixaram eu me transferir pra cá

                 Essa frase esteve ecoando em sua cabeça por um certo tempo, não conseguia se expressar, seu coração batia lentamente e era quase possivel ouvir claramente cada batida, por fim turou forças sabe-se Deus de onde e disse:

                 - Você não precisa explicar nada pra mim Henrique

                 - Foi você quem perguntou o que eu faço aqui, eu só te respondi, respondi parte, pois tem mais, não acredito que nossa última conversa foi um ponto final, temos sim...

                 - Temos nada

                 - Pode até ser que não temos, mas eu tenho! E eu não quero que você me perdoe por nada, muito menos quero que você me ouça, por agora só quero que você saiba de uma coisa; Existem pessoas que passam por nós e duram um piscar de olho, mas você vai fazer parte de mim até a última vez que eu piscar meus olhos, a última vez!

                 - Você não sabe o que está dizendo

                 - Você ouviu o que eu tinha pra te dizer, e quer saber você pode pensar o que quiser, eu não quero e não vou tentar mudar sua cabeça, é perca de tempo da sua parte rebater, assim como seria da minha parte tentar conversar com você agora, eu admito que errei com você

                 - Olha, como ele é realista! – disse sarcasticamente

                 - Não adianta mesmo né? Só não se esqueça, eu não vou desistir de você!

                 - O problema é seu

                 Disse saindo, naquele dia o caminho da escola até chegar em casa foi quente, não pelo calor de trinta graus, mas sim pela cabeça quente, a raiva e a vontade ter uma arma. Uma arma não para atirar em Henrique, mas sim para atirar nela mesma devida a vontade de abraço-lo quando o viu, Sabrina ainda o amava, e ouvir que ele não desistiria dela foi a melhor coisa que já ouviu na vida, porém parte dela não queria aquilo, pois sabia que tudo isso já tinha acontecido antes e que ele voltaria a cometer os mesmos erros, afinal as pessoas nunca mudam! Chegou em casa, não falou com ninguém, entrou e foi direto pro quarto, bateu a porta com força, todos estranharam, mas ninguém ousou ir perguntar o que estava acontecendo, pois sabiam que Sabrina não era assim, logo algo grave havia acontecido.

                 Sabrina se trancou no quarto e em sua cabeça filmes rodavam, filmes de todas as coisas vividas em Goiânia, desde o nome no pulso até o momento em que ele jogava na sua cara que ela não tinha dinheiro, e nunca conseguia encontrar uma explicação ou respostas para o que havia sido tudo aquilo, sua vontade era simplesmente não existir. Se Sabrina tivesse dinheiro de fato, ele estaria até hoje com ela, mas não estaria com ela por ela, não seria por amor. Ao mesmo tempo, mesmo sabendo que ela não tem as mesmas condições que Gabriela ele veio atrás dela, e isso serveria como uma prova de que o sentimento que Henrique alega é verdadeiro. Mas era uma ferida em aberto, ninguém sabia as coisas pelas quais Sabrina passara em um passado não tão distante, então não poderiam julga-la.

                 Era tarde, e o pai de Sabrina chega em casa

                 - Marlene! – grita o pai de Sabrina – Marlene!

                 - Estou aqui – responde

                 - Amanhã a Diana volta a trabalhar conosco

                 - Tá certo, vou arrumar as coisas por aqui, mas confesso que pensei que ela não voltaria nunca mais aqui em casa

                 - Diz isso por que?

                 - Não sei, pelo jeito que ela saiu daqui quando foi embora, parecia, num sei, parecia estranha

                 - O importante é que ela vai voltar e precisamos dela por aqui

                 - Realmente precisamos

                 O dia não foi nada bom pra Sabrina, passou o dia todo trancada no quarto, mas sua noite foi salva, graças a Marcos, passaram a noite toda conversando. Sabrina perguntava porque ele demorou tanto pra aparecer na vida dela, e questionava o porque de ele não ter vindo antes de Henrique. Contou tudo sobre Henrique a ele, e ele então passou a entender várias coisas, inclusive o motivo pelo qual ela foi embora. Quando Sabrina contou que ele veio atrás dela Marcos não perdeu a oportunidade e de cara lançou:

                 - Sabrina, naquele dia em que eu me aproximei de você no ônibus, eu não disse coisas espontâneamente, eu disse, pois estava seguindo você a uns três dias já, sabia mais ou menos pelo que você estava passando. Eu te compreendo e jamais, jamais seria capaz de machucar você, este cara é um idiota, ele num sabe o que ele perdeu, por que você num volta? Volte pra Goiânia, siga em frente com o que você começou aqui, eu prometo que vou te apoiar no que você precisar

                 - Eu queria – respondeu Sabrina – Queria muito, mas você sabe que eu não escondo nada de você e ... o Henrique, ele não me perdeu, este é o problema

                 - O que você sente por ele?

                 - Eu não sei te explicar, eu tenho um sério problemas com as palavras, e nada disso teria acontecido se ele não tivesse olhado nos meus olhos e dito que me amava

                 - Ele te disse isso, olhando nos seus olho? E fez o que fez?

                 - Isso é o pior

                 - Eu poderia ir te visitar, qualquer dia destes?

                 - Sim, mas eu posso ser sincera com você?

                 - Seria legal se você fosse

                 - Enfim, gosto muito da sua amizade e embora você você o tipo de pessoa por quem eu gostaria de me apaixonar um dia, eu não estou pronta por agora, venha, mas venha ciente disso

                 - É né – Aquilo doia um pouco em Marcos, porém ela havia dado a ele um pingo de esperança pelo menos – Se você diz.

                  O tempo passara voando naquela noite, eram já quase duas da manhã quando se despediu de Marcos e foi dormir, deitou-se mas antes de dormir ficou refletindo sobre tudo, o amor de Marcos, a chegada de Henrique e a volta de Diana. Como seria encarar Diana? Talvez fosse uma boa ouvir Marcos e voltar pra Goiânia, ela se livraria de dois problemas ao mesmo tempo, Diana e Henrique, mas fugir é a melhor solução? Bem, não havia outra.

                 A vida de Sabrina na cidade pequena era muito mais agitada do que a vida de muita gente sem vida social em Nova York, Sabrina nunca fez questão de ter uma vida social, porém a vida estava sempre ali cobrando-a isso, o dia amanhece e o sol consegue penetrar as janelas e chamar seu pequeno corpo cansado pra dançar, em momentos assim ensava naquelas pessoas que estavam a espera da morte, em casa ou em uma cama de hospital. Tantas vidas sadias que já estavam mais perdidas que estas mesmas por um fio, o dia tinha tudo pra ser lindo, a não ser o fato de uma voz, uma voz que vinha do outro lado da porta do seu quarto, esta mesma voz não falava com ela, mas mexia com ela mais do que se estivesse ali falando-lhe diretamente. Era Diana, que havia voltado a trabalhar para seu pai, ela esperaria que todos saissem pra depois sair do quarto, chegaria no segundo tempo no colégio, mas por nada sairia do quarto agora, e assim o fez.

                 Chegou atrasada no colégio, o dia continuava lindo, havia conseguido fugir de Diana, se fosse preciso chegaria no segundo tempo todos os dias, e também ainda não tinha visto Henrique, o dia estava perfeito. No intervalo, o telefone toca

                 - Alô? – Sabrina atende

                 - Tudo bem gatinha?

                 - Marcos? Oi – Era impossivel não ver a felicidade em seus olhos – Como você tá?

                 - Bem – A voz de Marcos fazia Sabrina se sentir especial, sabia que era ela quem causava aquela felicidade nele – ontem você me disse que as essas horas você estaria no intervalo, liguei pra te desejar bom dia

                 - É impossivel não ser bom assim, você tá fazendo ele ser bom.

                 Era dificil entender o porque de uma pessoa que estava tão longe fazia com que tantas coisas pulsassem ali dentro, uma pessoa com quem falou pessoalmente menos de um dia, não conhecia nada dele, mas se pudesse escolher alguém no mundo pra amar para sempre, seria ele. Mas sabia que não podia leva-lo adiante, em momenos assim, quando se sentia a fim de alguém, logo lembrava-se do seu segredo, aquilo afastaria todos.

                 Seis meses se passaram

                 E nestes seis meses nada mudou, Sabrina ainda evitava Diana, corria de Henrique, por falar nisso Henrique tinha se distanciado até, ao contrário de Marcos, este sim, tivera se aproximado bastante de Sabrina.

                 As coisas iam bem, bem até demais, não se lembrara da última vez em que as coisas estava indo tão bem, ela então aproveitava então essa fase, pois dificilmente as coisas no seu mundo ficavam em paz por muito tempo. Naquele mesmo dia levantou cedo como de costume e foi pro colégio, era um dia comum e bonito, o céu estava azul e não havia se quer uma única nuvem, era como se o dia a convidasse pra vida, talvez as coisas estivessem mesmo entrando no eixo. Era o primeira aula do dia, a coordenadora do colégio entra na sala e diz que tem um comunicado pra fazer

                 - Bom dia classe, estou aqui hoje pra apresentar vocês o novo colega de vocês – foi a primeira vez que a coodenadora entrou na sala pra poder apresentar um novo aluno e todos estavam estranhando aquilo – Espero que vocês o recebam bem. Darlan, por favor, pode entrar.

                 Ele era bonito, caminhava vagarosamente, parecia observar toda a sala com um olhar de canto de olho, piscava lentamente e seu olhar era bastante penetrante. Sabrina ficou encarando-o diretamente, ele percebeu e e correspondeu o olhar, existia ali uma conexão inexplicavel, Sabrina neste exato momento sentiu medo, nãosabia porque mais sentiu medo ao ver que os olhos dele olhavam diretamente pros dela, logo abaixou a cabeça. Darlan entrou e a coordenadora falou mais algumas palavras, então o menino passou por entre os lugares vagos na sala, mas foi até o fundo da sala e sentou-se perto de Sabrina, com tantos lugares pra se sentar por que preferiu sentar-se ali ao lado dela? Isso só o tempo diria.

                 Chegou a hora do intervalo, Sabrina viu que ao todos sairem, ele permaneceu sentado e estava ligando pra alguém do seu celular, porém parecia que sua chamada não havia sido completada, e menos de um minuto depois a pessoa para quem ele ligava retornou, o toque de seu celular era He Wasn’t da Avril Lavigne, Sabrina gostou, levando-se em consideração que era sua cantora preferida. Esperou a ligação terminar, pela primeira vez na vida não havia saido da aula no intervalo, aguardou o fim da ligação e puxou assunto

                 - Então, você gosta da Avril também?

                 - Também? Por que, você também gosta?

                 - É minha cantora preferida

                 - A minha também

                 Depois dali, ficaram o intervalo todo conversandosobre cotidiano, vida e dia-a-dia, foi a primeira vez em que Sabrina sentira tata confiança em alguém sem conhecer, era bonito aquilo que estava acontecendo, foram apenas quinze minutos de conversa, porém havia nascido em Sabrina uma vontade enorme de pedir a ele um abraço, em momentos assim se perguntava o porque, por que todas as pessoas não podiam ser assim, por que Henrique teria feito tudo aquilo e o por que de tudo que aconteceu em sua vida desde criança, o intervalo acabou, porém os dois nem perceberam, era engraçado.

                 A aula acabou e no caminha pra casa aquele dia, Sabrina estava bem, muito feliz, sentia-se como se tudo de ruim que tivesse que passar já tivesse passado, agora então viria a calmaria, depois da tempestade. Esse seu modo de ver as coisas foi ao chão no momento em que virou a última esquina que levava até sua casa, ali estava, parado ... a sua espera.

                 - Sabrina, eu preciso muito falar com você

                 - Henrique você quer mesmo insistir nisso? Você some por meses e agora quer conversar sobre uma coisa que nunca existiu?

                 - Existiu sim, não minta pra você mesma

                 - É errado viver as coisas pelas metades, e o que houve entre a gente foi só uma metade.

                 - Eu quero completar essa metade que falta agora

                 - Não seria tarde demais agora? – Sabrina odiava o fato de seu coração pedir para que ela abraçasse e falasse que tudo vai ficar bem – Não é pra ser Henrique.

                 - Porque que seus olhos me dizem outra coisa? Eu sei que dentro de você existe muito de mim, e eu não quero que isso se perca, se Deus aparecesse agora na minha frente e me perguntasse qual a coisa do mundo que eu mais quero, eu diria que é você, por favor me perdoa?

                  Ao terminar de dizer isso, segurou-a pela cintura e a beijou, ela não conseguiria rejeitar, porque or mais que sua cabeça pedisse que não, seu coração e seu corpo pertencia todo a ele. Sabrina correspondeu o beijo, o abraçou de uma forma que nunca havia o abraçado antes.

                 - Quer entrar pra gente poder conversar?

                 - Claro, acho que tenho muitas coisas a te explicar, eu te amo.

                 - Não diga que me ama

                 - Mas é isso que eu...

                 - Não diga, por favor, não por agora

                 - Tá certo

                 Beijou-a levemente de novo, ela sorriu, os dois foram entrando, quando ia abrir a porta da sala, a porta foi aberta, depois de muito tempo, e mais seis meses fugindo, foi a primeira vez em quem Sabrina olhou diretamente nos olhos de Diana. Não havia mais como fugir.

Capítulo 005 - Surpresa de Volta às Aulas

Capítulo 05

Surpresa de Volta às Aulas

                 Sentir falta de algo, não significa que você precisa disso de volta a sua vida, e às vezes o comodismo te trai, o medo te trai. É difícil deixar uma vida onde tudo parece certo, a incerteza faz com que nos tornemos adeptos do comodismo, mas naquela noite além de se prometer ser forte como uma rocha, Sabrina também havia lhe prometido ser livre do comodismo, iria em busca do melhor para si a qualquer custo e não iria se prender a ninguém nem a nada. Mesmo com todas as tempestades que estavam por vir ela sentia forte e confiante pra ir a luta, e o primeiro obstaculo estava ali agora diante de si,o telefone tocando, se tocasse por mais 20 segundo a ligação cairia e ela ainda não sabia bem se atendia ou não, optou por atender, pois considerou no momento que fugir não é a melhor solução, iria encarar isso

                 - Alô?

                 - Eu fui me despedir de você

                 - Marcos?

                 - Esse é o nome do seu novo namoradinho? Bem pra quem foi até minha casa hoje de manhã pra conversar sobre “nós” você até que esquece rápido né?

                 - Henrique, pelo amor de Deus, quem é você pra dizer alguma coisa? Você estava esperando alguém hoje de manhã, e outra o Marcos não é nada meu! Ele só foi ali se despedir de mim, pois ele é gentil e parece se importar comigo e advinha ... não espera nada em troca!

                 - Eu não estava esperando ninguém, eu não tenho ninguém, eu só queria que você fosse embora

                 - Bem, eu vim

                 - As coisas não precisavam ser assim

                 - Você as fez assim

                 - Mas se eu ...

                 - Mas nada Henrique, eu gosto de você, mas eu preciso gostar de mim primeiro, e eu preciso desligar, estou chegando em casa, e tenho coisas a fazer

                 - Você desistiu fácil demais de nós

                 - Eu não desisti, você me forçou a ver as coisas da sua maneira

                 - Então você não desistiu?

                 - Agora sim

                 Sabrina desligou depois disso, havia doído demasiadamente dizer aquelas palavras, porém eram as palavras necessárias naquele momento, precisamos saber separar o que queremos do que é melhor pra nós, nem sempre o que queremos nos basta, porém estamos temporariamente cegos ou lesados demais pra nos dar conta disso. Sabrina estava aprendendo a ser forte, a vida, a vida tinha voltado a ser como antes, pacata e simples.

                 Os dias se passavam e era comum acostumar-se a falta de Henrique, perguntava-se se algum dia ele já esteve realmente presente ao seu lado, pois o fato de alguém estar sentado do seu lado não significa que este mesmo alguém está do seu lado, os dias se passaram com uma rapidez extrema, e era triste admitir que essa seria sua realidade agora, o tempo não daria mais folga. Talvez seja essa a maior vantagem em ser criança, o tempo parece estar sempre a nosso favor, depois de certa idade entramos em uma corrida contra o tempo, e é nesse meio tempo em que diversas pessoas deixam de viver e passam apenas a existir.Ver sua familia de volta foi legal, mesmo que tenha passado pouco tempo fora, parecia ter sido anos. À três anos atrás quando fugiu de casa e passou duas semanas fora, escondida por ali mesmo, foi do mesmo jeito, desde pequena se declarava independente, mas sempre teve a sua família como seu porto seguro, por muitas vezes desejou sinceramente que algum deles morresse, porém se isso viesse de fato a acontecer ela morreria junto. Apesar de sua relação difícil com seu pai, demoraria um pouco pra se dar conta, mas sua mãe era seu ponto fraco.

                 Marlene, mãe de Sabrina, nunca disse eu te amo à alguém, apesar de amar muito sua familia, nunca conseguiu dizer isso a eles, nunca soube o porque, mas esta pequena frase de apenas três palavras e com um significado enorme, seriam palavras que nunca sairam e nunca sairiam de sua boca. Desde sempre se preocupara com seus três outros filhos, com Sabrina ela nunca se preocupou, confiava na filha e tinha certeza que ela seria capaz de superar e passar por cima de qualquer coisa.

                 Era domingo, no dia seguinte iniciariam as aulas, já estava tudo preparado, Sabrina já tinha até visitado alguns velhos amigos e amigas, não queria deixar a surpresa em ve-la para o dia seguinte, claro que todos se espantaram, ninguém ali naquela pequena cidade negaria uma oportunidade de deixa-la,e Sabrina tinha feito isso, mas isso num era nada, ela já era considerada incomum de toda forma, susto maior levou sua professora que a tinha indicado, todos sabiam que havia algo grave por trás dessa decisão, mas respeitavam a vontade de Sabrina de não tocar no assunto. Já havia até mesmo arrumado um emprego, que era na verdade um bico, ajudava um amigo de seu pai com o transporte ilegal de materiais que nem a mesma sabia do que se tratava, só precisava viajar com este homem às vezes nos finais de semana, o homem fazia tudo,aúnica coisa que ela tinha que fazer era agendar horários e visitas as pequenas cidades da região, com isso conseguiu realizar um de seus sonhos, que era juntar uma certa quanti e comprar seu tão sonhado computador, foi suado mas ela conseguiu, mas jamais admitiria que as vezes teve que saquear as economias de sua mãe pra poder completar mais rápido o dinheiro necessário. Desde pequena tinha essa mania de se necessário causar prejuizos a alguém se fosse pra seu benefício próprio. Era difícil ser uma menina pobre do interior, a maioria das pessoas da sua idade na pequena cidade viravam as costas pra ela, e ela nunca fez questão da amizade delas, tinha poucos amigos mas os considerava os melhores.

                 - Sabrina? –disse alguém

                 - Oi Mateus – gritou Sabrina feliz em vê-lo – Como você tá? Animado pra amanhã?

                 - Animado eu não estou não, mas temos que ir a luta né?

                 - Pois é

                 - Mas o que está fazendo aqui? Era pra você estar em aula em Goiânia neste exato momento

                 - Era né, mas eu desisti

                 - Desistiu? Quem desiste de ...

                 - Eu desisto – disse interrompendo-o – Eu desisto e existem zilhões de motivos que faria outra pessoa qualquer desisitir também

                 - Te compreendo caso não queira falar sobre isso

                 - Eu agradeço, então, espero que estajamos na mesma sala de novo né?

                 - Se Deus nos permitir

                 - Então tá ok, nos vemos amanhã, não some não viu?

                 - Pode deixar

                 Doia toda vez que alguém perguntava o porque de Sabrina não estar em Goiânia, doia, mas ela precisava se acostumar com isso, como dizia a música “até os sonhos têm seu fim” então já era hora, a noite se aproximava, e a cidade toda se calava, os dias de domingo ali eram assim, como um prato de comida quente e com cheiro bom, mas ao degustar era impossivel não se dar conta de que não havia sal ou nenhum outro tipo de tempero. Sabrina então passava suas noites em frente ao computador, e apesar de sentir tanto a falta de Henrique, naquela noite ao logar em uma de suas redes sociais, sentiu-se como se sua noite acabasse de ganhar uma pitada de sal, era Marcos, ele havia enviado uma solicitação, ela não sabia explicar porue, mas sentiu uma esperança que mexeu com algo dentro dela, e mesmo que ele tivesse prometido que ligaria naquela noite quando se despediu dela na rodoviaria, e ainda não tivesse ligado, foi bom ver que ele se lembrava dela, Sabrina aceitou a solicitação, na mesma hora recebeu uma mensagem, e dali em diante não pararam mais de falar, quando se deu conta já eram quase três horas da manhã, falaram sobre tudo, vida, trabalho, escola, sonhos e etc... Mas precisava dormir pois as sete tinha que estar dentro da sala de aula, e no primeiro dia de aula era sempre bom chegar alguns minutos antes para rever as amigos. Mal dormiu, logo pulou da cama, estava bastante animada em vista da menina de sorriso quebrado que chegara a dias atrás de volta em casa. Estava morta de saudades de seus amigos, lemabrava de tudo o que vinham aprontando desde a quinta série, logo de inicio aceitou fazer parte da equipe da Rádio Escola, adorava fazer parte de tudo desenvolvido pela escola, no ano passado havia viajado para Catalão em Goiás e passou semanas fazendo um curso de computação todo pago pela escola, os prefessores da escola a amavam e ela também era demasiadamente fã deles.


                 Não sabia explicar o porque, mas sentia um enorme desconforto em relação à algo desconhecido, a manhã de aula estava sendo muito divertida, era assim todos os anos no primeiro dia, depois vinha toda aquela matéria e dá pra ter uma noção de como fica. Chegava então o horário do intervalo, e era o combinado sairem pelos fundos do colégio pra ir no mercadinho do outro lado da rua pra comprar lanche, já era de lei, todos corriam, Sabrina era a última, parou e ficou ali parada por alguns segundo observando algo que pensava ter visto, algo que não lhe parecia estranho, até que um de seus amigos voltou e a chamou, ela decidiu deixar pra lá e foi com eles. Em momentos assim percebia que não havia feito a escolha errada quando decidiu voltar pra casa, neste momento seu momento de fraquesa que a levou a desistir de um sonho fazia tudo parecer que não foi um momento de fraquesa, e sim um momento de superação, logo um momento de força!

                  Eram 11:25h da manhã, horário de encerramento da última aula, ao tocar da sirene Sabrina sentiu algo estranho, era um mistura, que começava bom e terminava ruim, não considerou aquilo algo importante, se despidiu dos amigos, todos combinaram de chegar mais cedo no dia seguinte pra poder conversar, jogar conversa fora, tinham muitos assunto, as férias haviam sido agitadas não só para Sabrina. Lembrava-se então dos momentos nos anos anteriores quando ao termino das aulas, saia andando pelos corredores rumo a saída, passava por entre as pessoas assim como em um videoclipe teen, via as coisas em camera lenta e se sentia como a pessoa mais famosa do mundo, certo que estava bem longe da sua realidade, mas gostava de sonha assim, mas toda a vibe boa do dia veio ao chão quando ouviu alguém chamar seu nome, virou-se, neste momento as coisas pareciam realmente estar acontecendo em camera lenta, conhecia aquela voz

                 - Oque você está fazendo aqui? – Perguntou Sabrina assustada, não conseguia esconder que estava surpresa

                 - Bem, falei com meus pais, e como tenho parentes aqui, eles deixaram eu me transferir pra cá