quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Capítulo 008 ~ A Cartada Final de Henrique

Capitulo 08

A Cartada Final de Henrique



           Não é do feitio da vida dar uma segunda chance. A vida na maioria dos casos é injusta, ela te prova, lota seu caminho de obstáculos para ver se você realmente quer algo ou se não passa de um capricho. Muitas vezes você se encontra perdido, sem saber o que fazer ou pra onde ir, e em momentos assim se existe algo que você quer, realmente não é um capricho. Pois são em momentos assim que estamos mais fracos e dispostos a jogar tudo pro ar, se você deseja que algo ainda assim permaneça, isso é algo quer você quer de verdade. Não devemos nos martirizar por caprichos, às vezes nos matamos de tanta vontade de obter algo, porém quando se quer algo onde você se esquece de vocês mesmo, isso não é um capricho e nem algo que você quer de verdade, mas sim um vício, e vícios são passageiros, porém do mesmo jeito que passam rápido, podem tirar toda a sua vida com a mesma velocidade. Devemos ter cuidado com aquilo que queremos, e muto mais com aquilo que pedimos pra Deus.
          Naquela tarde, Henrique teria que convencer Sabrina de muita coisa, embora fosse desnecessário, pois ela estava esperand por isso a tempos, nunca havia deixado de gostar de Henrique. E mesmo ela também sentindo atração por meninas, era Henrique quem ela amava e queria estar do seu lado pra sempre, nunca tinha sentido algo assim por alguém, e não deixaria isso passar, ia dar o melhor de si por eles. Os dois passaram a tarde toda conversando e trocando beijos, foi uma tarde legal, até que Henrique disse que precisava ir, mas jurou não tira-la um segundo se quer de sua cabeça, e ele realmente não faria isso, então deu-lhe um último beijo e foi-se.

- Onde está aquela mocinha que dizia que seria madura pra perdoar, mas não idiota a ponto de confiar outra vez?
- Mãe? – disse, sorrindo sem jeito – Ah, talvez as coisas não precisem ser assim.
- Tá bom querida, mas vá com calma, lembre-se da última vez, as pessoas nunca mudam
- Por que diz isso?
- É a vida Sabrina. A Vida – disse abraçando-a

        Sabrina entrou pro quarto e se deitou na cama, ficou ali pensando sobre tudo o que acontecera, as coisas nunca estiveram tão bem, e mesmo que ainda não confiasse plenamente em Henrique teria tirado um peso de suas costas perdoado-o e lhe dando uma segunda chance. O telefone toca

- Alô? – Sabrina atende
- Sah, você num tinha prometido que me ligaria hoje depois da aula?
- Marcos, me perdoa? Tava corrido as coisas aqui
- Tudo bem, então, estou te esperando aqui na rodoviária, estou no box 04
            
             Sabrina tinha se esquecido que os dois haviam combinado de que Marcos iria passar o fim de semana em Orizona junto à ela. E agora? Sabrina sabia das intenções de Marcos com ela, mas se esqueceu disso quando se deparou com Henrique pela manhã, como ela diria isso à ele?  Tinha dito tantas vezes que nunca mais daria uma chance a ele de novo e tantas outras coisas ruins a respeito. Então ligou para Henrique e disse que neste fim de semana não poderia vê-lo, explicou que viajaria pra cidade vizinha com seus familiares, Henrique concordou e té lhe desejou uma bo viagem. Claro que Sabrina contaria sobre isso a Marcos, e também não ficaria com ele, pois a última coisa que ela queria era magoar a pessoa que mais bem lhe faria.
E assim as coisas foram. Foi até a rodoviária e buscou Marcos, depois de tanto tempo se falando só por telefone e internet, ele parecia tão mais bonito que da última vez, e seu olhar desta vez estava tão mais forte, tanto que as palavras poderiam ser facilmente despensadas. Riram e brincaram bastante, como era de costume entre eles. Sabrina tinha que inventar coisas ótimas para eles fazerem em casa, como esconder alguém em uma cidade de 14.000 habitantes? Era impossível, mas Marcos não precisava de nada além da presença de Sabrina. Ele passara dois dias ali, no último dia, pediu para que Sabrina o levasse na rodoviária,e  lá ela foi, tiveram sua última conversa pessoalmente no carro. Marcos se queixava de como passou rápido, e Sabrina se perguntava o porque e como seria possível existir um sentimento tão sincero vindo dele, gostaria de ter conhecido-o em outros tempos, mas a vida é mesmo assim, confusa. Quando desceram do carro, Sabrina abraçou-o e deu um beijo no rosto, Marcos por sua vez, desceu sua mão pela sua cintura e com a outra tocou seu rosto e se aproximou, ele estava quase perto o suficiente para beija-la

- Não Marcos – disse, enquanto passava a mão pelo cabelo – Eu não posso
- Por que não pode?
- Eu não quero ser injusta com você
- Mas injusta em quê?
- É o Henrique, pode ser que a gente volte
- Esse cara de novo? Mas e todas as coisas que você disse sobre ele?
- A gente conversou na sexta, pouco tempo antes de você ligar
- Então foi por isso que você se esqueceu de me ligar?
- Também, também tive uns outros problemas com aquela moça que eu comecei a te contar que eu tinha problemas, desde que ela voltou a trabalhar com meu pai...
- Tá legal Sabrina, não precisa se explicar, eu não queria, mas eu sei que você vai se magoar de novo
- Talvez não Marcos, talvez não. Eu acredito que as pessoas aprendam com seus erros
- Exceto você.
- Não fala assim
- Desculpe-me, mas é a verdade
- Me liga quando chegar lá?
- Você vai ter tempo pra me atender?
- Num fala assim, você sabe que eu adoro você e me importo com você.
- Tudo bem Sabrina, mas vai com cuidado.
- Tá certo
          Na cabeça de Marcos, desde quando havia botado os pés em Orizona na sexta-feira ele já considerava aquilo tudo um namoro, e foi frustrante pra ele saber da possível volta com Henrique. Mas ele não podia fazer nada, além de esperar, sabia que Henrique ia pisar na bola, isso era uma certeza. Sabrina ficou ali parada no box de embarque da Rodoviária acenando para Marcos dentro do ônibus, não gostava de saber que de certa forma estava o machucando, e nisso Marcos nem se quer sabia da sua atração por meninas também.

- Sabrina?
- Henrique? O que você faz aqui?
- Vim trazer minha prima, ela veio de Goiânia pra nos ver este fim de semana. E pergunto o mesmo a você também, mas me responde depois que me der um beijo
            Ele a beijou, e ela ficava pensando que Marcos não poderia ver aquilo, pois mesmo sabendo que os dois voltariam, ela não queria que ele visse essa cena, sabendo do que sentia por ela, não queria machuca-lo. Ele saber da possível volta é uma coisa, força-lo a ver isso seria injustiça com ele. Mas ele não viu, o ônibus já tinha saído. Sairam então dali e foram fazer um lanche, tinham muito o que conversar, era perceptivel pelo fato de que mal comiam, ficavam só conversando por horas e horas, depois de comer, uma longa caminhada até em casa, regada de mais conversa.
                  E assim foram nos próximos três meses, foram os três meses que passaram mais rápido na vida de Sabrina, os dias estavam lindos e as noites mais ainda. No dia em que completariam três meses exatos de namoro, Henrique a convidou pra jantar na Pizzaria da cidade, era a única da cidade e o único lugar que proporcionaria uma noite a dois com um pequeno clima de romance, a cidade não tinha nada melhor a oferecer.

              - Sabrina Santos Silva, quero que saiba que eu quero você pra sempre em minha vida, para sempre e como prova disso, quero que aceite isso – disse Henrique enquanto mostrava a ela uma pequena caixa, dentro havia um par de alianças prateadas.
- Henrique – disse surpresa
- Não diz nada – levantou-se da mesa e lhe deu o maior beijo, até então o maior beijo, ali no meio de todas aquelas pessoas.

                 Para Sabrina tudo isso parecia um sonho, passaram uma noite deslumbrante, não havia mais nada que pudesse desejar, Henrique estava ali, pensava que Diana poderia ser um problema e nem foi ... as coisas estavam perfeitas. Foram pra casa, Henrique a levou até sua casa, e a deixou lá, enquanto se despedia, o celular dele tocou porém ele não quis atender, ela até o questionou o porque de não querer atender porém ele alegou não ser nada de importante, disse também que não queria que nada os atrapalhasse.
                 Sabrina então entrou, seus olhos brilhavam e parecia que nunca havia lhe acontecido nada de ruim na vida, tudo estava bem, nesta nite só seria dificil dormir porque o coração estava a mil, parecia até impossivel caber tanta felicidade dentro de uma pessoa só. O dia amanheceu e Sabrina pulou da cama como quem pula na pra vida de peito aberto pronta para enfrentar o mundo, saiu de casa e foi para a escola, parecia uma criança boba, uma criança idiota que enxerga o mundo colorido. Chegou no colégio e foi logo mostrar para todas as colegas o que havia acontecido na noite anterior, porém estranhou o fato de ainda não ter avistado Henrique no colégio. Foi para a sua sala e assistiu aula normalmente, no intervalo também não viu Henrique por ali, tentou ligar em seu celular, porém não chamava e já caia direto na caixa de mensagens, voltou do intervalo e assistiu até a última aula, ao sair da sala estranhou o fato de ainda não ter visto Henrique, foi para casa e o procuraria depois de almoçar, todas aquelas emoções estavam deixando-a morta de fome. Quando chegou em casa se surpreendeu com sua mãe

- Sabrina?
- Pois não mãe
- O Henrique veio procurar você
- O Henrique? Ué, porque será que ele num foi na aula hoje
- Bem querida, não sei, ele veio procurando você minutos depois que você saiu, uns vinte minutos depois, ele deixou um negócio para você, está em cima da sua cama.
- Ah sim, obrigada mãe

Sabrina então foi correndo pro quarto, esqueceu até mesmo da fome. Ao chegar no quarto se deparou com um envelope, logo pensou: “Ah Deus, Henrique e suas surpresas” ... Ele vinha sendo o melhor namorado do mundo tinha três meses, então abriu o envelope, ao abrir ouviu um barulho fino e agudo, esse barulho ficou ecoando na sua cabeça e a cada vez que ecoava seu coração parecia cair um pedaço a mais, ficou olhando para o chão enquanto terminava de tirar o restante do conteudo do pequeno envelope, era um pedaço de papel, aparentemente uma carta, foi abrindo a carta e lendo, isso não poderia estar acontecendo, o pequeno objeto que caira ao abrir o envelope era a aliança, a mesma que Henrique colocou na noite anterior, não dava pra entender nada, então foi ler a carta para tentar entender

       “Sabrina cometemos um erro, na verdade eu cometi um erro. Naquela noite em que nos vimos na rodoviária, eu não tinha ido buscar e nem levar ninguém, e também aquela vez quando me telefone tocou e eu disse a você que não atenderia porque não queria perder aquele momento com você, eu menti. Sei que você deve estar pensando o que na minha vida que não é uma mentira, eu também me pergunto isso todos os dias então nem peço para que me entenda, pois nem eu mesmo me entendo. Queria poder ter falado com você sobre isso pessoalmente, porém eu estou custando ter forças para escrever isso para você. O destino existe Sabrina, nunca deixe de confiar nisso, me sinto hoje a pior pessoa do mundo, mas não posso fazer de conta que nada está acontecendo. Gostaria que soubesse que você é a melhor pessoa do mundo, porém eu tive hoje que ir em busca dos meus objetivos, eu num posso ficar parado vendo o mundo girar, preciso ir atrás dos meus objetivos, e talvez um dia a vida nos permita dividir os sonhos que estavamos traçando. Perdoe-me por ser covarde de ter feito você sonhar, saiba que eu também sonhei, mas sonhos não são suficientes para fazer uma pessoa. Eu não menti quando disse que amava você, você é muito importante para mim e eu nunca vou me perdoar por isso, mas quem disse que a vida é justa. Sei também que você não se importa com isso, mas um dia eu vou voltar, com a minha vida feita e então poderei ser para você tudo aquilo que você merece. Não me lembro de ter falado com você osbre isso, porém uma vez eu amei, amei de todo coração, mas fui deixado de lado por não ter uma boa situaçao financeira, neste dia então prometi para mim mesmo que um dia eu conseguiria superar isso e iria poder jogar na cara de todos aqueles que duvidaram de mim, todos aqueles que disseram que eu não seria capaz. Espero que um dia você seja capaz de me perdoar, espero de todo coração, quero que fique com a minha aliança, para que um dia quando a gente se reencontrar possamos continuar de onde paramos. Entenderei você caso você não queira esperar por mim, esperando ou não, saiba que só você será a eterna dona do meu coração. Jamais esquecerei você, muito obrigado por ter me proporcionado os melhores três meses da minha vida

Henrique Cubas”


Ao terminar de ler, retirou a aliança do seu dedo, juntou-a com a outra, embolou tudo junto com a carta, foi até a cozinha e pegou o esqueiro, correu até o fundo do quintal de casa, sentou-se por ali e enquanto queimava a carta de Henrique prometia a si mesma nunca mais confiar em ninguém, enquanto o fogo queimava cada palavra em sua cabeça o fogo também queimava todas as memórias de Henrique, e em seu coração crescia somente o ódio. Ódio principalmente de si prórpria por ter sido tão inocente, pela segunda vez. Pegou as alianças sujas de cinzas no chão e lembrou-se de quando Henrique falava sobre destino, que todos têm um e que sortudos são aqueles que seguem o seu destino, Sabrina até então acreditava quando ele dizia que ela era o destino dele, que os dois estavam predestinados, mas hoje ela tivera percebido que o destino de Henrique não era ela. Levantou então a cabeça e prometeu nunca mais se apaixonar.

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