Capitulo 06
Passos no Vão das Palavras
Por que as pessoas precisam ser tão mesquinhas o ponto de cair em seus próprios clichês e realmente só darem valor a algo depois de perder? Existem pessoas que passam por nós e às vezes sem se dar conta sugam toda a nossa escência e então juramos que nunca mais se quer lembrar que um dia existiram, e mesmo que não venhamos a ter nada contra tal pessoa, nosso coração leva a sério essa nossa promessa. Algumas pessoas simplesmente não têm noção das palavras que proferem, palavras boas ou ruins, elas causam certas reações em quem as ouve. Então devemos tomar tamanho cuidado com aquilo que sai de nossas bocas, pois existe uma possibilidade de estar cavando uma cova pra alguém que poderia vir a se tornar especial, ou até mesmo para um pedaço de nós mesmos.
Naquele dia, Sabrina via seu mundo ir do céu ao inferno dentro de poucos segundos, dentro de uma frase
- Bem, falei com meus pais, e como tenho parentes aqui, eles deixaram eu me transferir pra cá
Essa frase esteve ecoando em sua cabeça por um certo tempo, não conseguia se expressar, seu coração batia lentamente e era quase possivel ouvir claramente cada batida, por fim turou forças sabe-se Deus de onde e disse:
- Você não precisa explicar nada pra mim Henrique
- Foi você quem perguntou o que eu faço aqui, eu só te respondi, respondi parte, pois tem mais, não acredito que nossa última conversa foi um ponto final, temos sim...
- Temos nada
- Pode até ser que não temos, mas eu tenho! E eu não quero que você me perdoe por nada, muito menos quero que você me ouça, por agora só quero que você saiba de uma coisa; Existem pessoas que passam por nós e duram um piscar de olho, mas você vai fazer parte de mim até a última vez que eu piscar meus olhos, a última vez!
- Você não sabe o que está dizendo
- Você ouviu o que eu tinha pra te dizer, e quer saber você pode pensar o que quiser, eu não quero e não vou tentar mudar sua cabeça, é perca de tempo da sua parte rebater, assim como seria da minha parte tentar conversar com você agora, eu admito que errei com você
- Olha, como ele é realista! – disse sarcasticamente
- Não adianta mesmo né? Só não se esqueça, eu não vou desistir de você!
- O problema é seu
Disse saindo, naquele dia o caminho da escola até chegar em casa foi quente, não pelo calor de trinta graus, mas sim pela cabeça quente, a raiva e a vontade ter uma arma. Uma arma não para atirar em Henrique, mas sim para atirar nela mesma devida a vontade de abraço-lo quando o viu, Sabrina ainda o amava, e ouvir que ele não desistiria dela foi a melhor coisa que já ouviu na vida, porém parte dela não queria aquilo, pois sabia que tudo isso já tinha acontecido antes e que ele voltaria a cometer os mesmos erros, afinal as pessoas nunca mudam! Chegou em casa, não falou com ninguém, entrou e foi direto pro quarto, bateu a porta com força, todos estranharam, mas ninguém ousou ir perguntar o que estava acontecendo, pois sabiam que Sabrina não era assim, logo algo grave havia acontecido.
Sabrina se trancou no quarto e em sua cabeça filmes rodavam, filmes de todas as coisas vividas em Goiânia, desde o nome no pulso até o momento em que ele jogava na sua cara que ela não tinha dinheiro, e nunca conseguia encontrar uma explicação ou respostas para o que havia sido tudo aquilo, sua vontade era simplesmente não existir. Se Sabrina tivesse dinheiro de fato, ele estaria até hoje com ela, mas não estaria com ela por ela, não seria por amor. Ao mesmo tempo, mesmo sabendo que ela não tem as mesmas condições que Gabriela ele veio atrás dela, e isso serveria como uma prova de que o sentimento que Henrique alega é verdadeiro. Mas era uma ferida em aberto, ninguém sabia as coisas pelas quais Sabrina passara em um passado não tão distante, então não poderiam julga-la.
Era tarde, e o pai de Sabrina chega em casa
- Marlene! – grita o pai de Sabrina – Marlene!
- Estou aqui – responde
- Amanhã a Diana volta a trabalhar conosco
- Tá certo, vou arrumar as coisas por aqui, mas confesso que pensei que ela não voltaria nunca mais aqui em casa
- Diz isso por que?
- Não sei, pelo jeito que ela saiu daqui quando foi embora, parecia, num sei, parecia estranha
- O importante é que ela vai voltar e precisamos dela por aqui
- Realmente precisamos
O dia não foi nada bom pra Sabrina, passou o dia todo trancada no quarto, mas sua noite foi salva, graças a Marcos, passaram a noite toda conversando. Sabrina perguntava porque ele demorou tanto pra aparecer na vida dela, e questionava o porque de ele não ter vindo antes de Henrique. Contou tudo sobre Henrique a ele, e ele então passou a entender várias coisas, inclusive o motivo pelo qual ela foi embora. Quando Sabrina contou que ele veio atrás dela Marcos não perdeu a oportunidade e de cara lançou:
- Sabrina, naquele dia em que eu me aproximei de você no ônibus, eu não disse coisas espontâneamente, eu disse, pois estava seguindo você a uns três dias já, sabia mais ou menos pelo que você estava passando. Eu te compreendo e jamais, jamais seria capaz de machucar você, este cara é um idiota, ele num sabe o que ele perdeu, por que você num volta? Volte pra Goiânia, siga em frente com o que você começou aqui, eu prometo que vou te apoiar no que você precisar
- Eu queria – respondeu Sabrina – Queria muito, mas você sabe que eu não escondo nada de você e ... o Henrique, ele não me perdeu, este é o problema
- O que você sente por ele?
- Eu não sei te explicar, eu tenho um sério problemas com as palavras, e nada disso teria acontecido se ele não tivesse olhado nos meus olhos e dito que me amava
- Ele te disse isso, olhando nos seus olho? E fez o que fez?
- Isso é o pior
- Eu poderia ir te visitar, qualquer dia destes?
- Sim, mas eu posso ser sincera com você?
- Seria legal se você fosse
- Enfim, gosto muito da sua amizade e embora você você o tipo de pessoa por quem eu gostaria de me apaixonar um dia, eu não estou pronta por agora, venha, mas venha ciente disso
- É né – Aquilo doia um pouco em Marcos, porém ela havia dado a ele um pingo de esperança pelo menos – Se você diz.
O tempo passara voando naquela noite, eram já quase duas da manhã quando se despediu de Marcos e foi dormir, deitou-se mas antes de dormir ficou refletindo sobre tudo, o amor de Marcos, a chegada de Henrique e a volta de Diana. Como seria encarar Diana? Talvez fosse uma boa ouvir Marcos e voltar pra Goiânia, ela se livraria de dois problemas ao mesmo tempo, Diana e Henrique, mas fugir é a melhor solução? Bem, não havia outra.
A vida de Sabrina na cidade pequena era muito mais agitada do que a vida de muita gente sem vida social em Nova York, Sabrina nunca fez questão de ter uma vida social, porém a vida estava sempre ali cobrando-a isso, o dia amanhece e o sol consegue penetrar as janelas e chamar seu pequeno corpo cansado pra dançar, em momentos assim ensava naquelas pessoas que estavam a espera da morte, em casa ou em uma cama de hospital. Tantas vidas sadias que já estavam mais perdidas que estas mesmas por um fio, o dia tinha tudo pra ser lindo, a não ser o fato de uma voz, uma voz que vinha do outro lado da porta do seu quarto, esta mesma voz não falava com ela, mas mexia com ela mais do que se estivesse ali falando-lhe diretamente. Era Diana, que havia voltado a trabalhar para seu pai, ela esperaria que todos saissem pra depois sair do quarto, chegaria no segundo tempo no colégio, mas por nada sairia do quarto agora, e assim o fez.
Chegou atrasada no colégio, o dia continuava lindo, havia conseguido fugir de Diana, se fosse preciso chegaria no segundo tempo todos os dias, e também ainda não tinha visto Henrique, o dia estava perfeito. No intervalo, o telefone toca
- Alô? – Sabrina atende
- Tudo bem gatinha?
- Marcos? Oi – Era impossivel não ver a felicidade em seus olhos – Como você tá?
- Bem – A voz de Marcos fazia Sabrina se sentir especial, sabia que era ela quem causava aquela felicidade nele – ontem você me disse que as essas horas você estaria no intervalo, liguei pra te desejar bom dia
- É impossivel não ser bom assim, você tá fazendo ele ser bom.
Era dificil entender o porque de uma pessoa que estava tão longe fazia com que tantas coisas pulsassem ali dentro, uma pessoa com quem falou pessoalmente menos de um dia, não conhecia nada dele, mas se pudesse escolher alguém no mundo pra amar para sempre, seria ele. Mas sabia que não podia leva-lo adiante, em momenos assim, quando se sentia a fim de alguém, logo lembrava-se do seu segredo, aquilo afastaria todos.
Seis meses se passaram
E nestes seis meses nada mudou, Sabrina ainda evitava Diana, corria de Henrique, por falar nisso Henrique tinha se distanciado até, ao contrário de Marcos, este sim, tivera se aproximado bastante de Sabrina.
As coisas iam bem, bem até demais, não se lembrara da última vez em que as coisas estava indo tão bem, ela então aproveitava então essa fase, pois dificilmente as coisas no seu mundo ficavam em paz por muito tempo. Naquele mesmo dia levantou cedo como de costume e foi pro colégio, era um dia comum e bonito, o céu estava azul e não havia se quer uma única nuvem, era como se o dia a convidasse pra vida, talvez as coisas estivessem mesmo entrando no eixo. Era o primeira aula do dia, a coordenadora do colégio entra na sala e diz que tem um comunicado pra fazer
- Bom dia classe, estou aqui hoje pra apresentar vocês o novo colega de vocês – foi a primeira vez que a coodenadora entrou na sala pra poder apresentar um novo aluno e todos estavam estranhando aquilo – Espero que vocês o recebam bem. Darlan, por favor, pode entrar.
Ele era bonito, caminhava vagarosamente, parecia observar toda a sala com um olhar de canto de olho, piscava lentamente e seu olhar era bastante penetrante. Sabrina ficou encarando-o diretamente, ele percebeu e e correspondeu o olhar, existia ali uma conexão inexplicavel, Sabrina neste exato momento sentiu medo, nãosabia porque mais sentiu medo ao ver que os olhos dele olhavam diretamente pros dela, logo abaixou a cabeça. Darlan entrou e a coordenadora falou mais algumas palavras, então o menino passou por entre os lugares vagos na sala, mas foi até o fundo da sala e sentou-se perto de Sabrina, com tantos lugares pra se sentar por que preferiu sentar-se ali ao lado dela? Isso só o tempo diria.
Chegou a hora do intervalo, Sabrina viu que ao todos sairem, ele permaneceu sentado e estava ligando pra alguém do seu celular, porém parecia que sua chamada não havia sido completada, e menos de um minuto depois a pessoa para quem ele ligava retornou, o toque de seu celular era He Wasn’t da Avril Lavigne, Sabrina gostou, levando-se em consideração que era sua cantora preferida. Esperou a ligação terminar, pela primeira vez na vida não havia saido da aula no intervalo, aguardou o fim da ligação e puxou assunto
- Então, você gosta da Avril também?
- Também? Por que, você também gosta?
- É minha cantora preferida
- A minha também
Depois dali, ficaram o intervalo todo conversandosobre cotidiano, vida e dia-a-dia, foi a primeira vez em que Sabrina sentira tata confiança em alguém sem conhecer, era bonito aquilo que estava acontecendo, foram apenas quinze minutos de conversa, porém havia nascido em Sabrina uma vontade enorme de pedir a ele um abraço, em momentos assim se perguntava o porque, por que todas as pessoas não podiam ser assim, por que Henrique teria feito tudo aquilo e o por que de tudo que aconteceu em sua vida desde criança, o intervalo acabou, porém os dois nem perceberam, era engraçado.
A aula acabou e no caminha pra casa aquele dia, Sabrina estava bem, muito feliz, sentia-se como se tudo de ruim que tivesse que passar já tivesse passado, agora então viria a calmaria, depois da tempestade. Esse seu modo de ver as coisas foi ao chão no momento em que virou a última esquina que levava até sua casa, ali estava, parado ... a sua espera.
- Sabrina, eu preciso muito falar com você
- Henrique você quer mesmo insistir nisso? Você some por meses e agora quer conversar sobre uma coisa que nunca existiu?
- Existiu sim, não minta pra você mesma
- É errado viver as coisas pelas metades, e o que houve entre a gente foi só uma metade.
- Eu quero completar essa metade que falta agora
- Não seria tarde demais agora? – Sabrina odiava o fato de seu coração pedir para que ela abraçasse e falasse que tudo vai ficar bem – Não é pra ser Henrique.
- Porque que seus olhos me dizem outra coisa? Eu sei que dentro de você existe muito de mim, e eu não quero que isso se perca, se Deus aparecesse agora na minha frente e me perguntasse qual a coisa do mundo que eu mais quero, eu diria que é você, por favor me perdoa?
Ao terminar de dizer isso, segurou-a pela cintura e a beijou, ela não conseguiria rejeitar, porque or mais que sua cabeça pedisse que não, seu coração e seu corpo pertencia todo a ele. Sabrina correspondeu o beijo, o abraçou de uma forma que nunca havia o abraçado antes.
- Quer entrar pra gente poder conversar?
- Claro, acho que tenho muitas coisas a te explicar, eu te amo.
- Não diga que me ama
- Mas é isso que eu...
- Não diga, por favor, não por agora
- Tá certo
Beijou-a levemente de novo, ela sorriu, os dois foram entrando, quando ia abrir a porta da sala, a porta foi aberta, depois de muito tempo, e mais seis meses fugindo, foi a primeira vez em quem Sabrina olhou diretamente nos olhos de Diana. Não havia mais como fugir.

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