domingo, 1 de abril de 2012

Capítulo 005 - Surpresa de Volta às Aulas

Capítulo 05

Surpresa de Volta às Aulas

                 Sentir falta de algo, não significa que você precisa disso de volta a sua vida, e às vezes o comodismo te trai, o medo te trai. É difícil deixar uma vida onde tudo parece certo, a incerteza faz com que nos tornemos adeptos do comodismo, mas naquela noite além de se prometer ser forte como uma rocha, Sabrina também havia lhe prometido ser livre do comodismo, iria em busca do melhor para si a qualquer custo e não iria se prender a ninguém nem a nada. Mesmo com todas as tempestades que estavam por vir ela sentia forte e confiante pra ir a luta, e o primeiro obstaculo estava ali agora diante de si,o telefone tocando, se tocasse por mais 20 segundo a ligação cairia e ela ainda não sabia bem se atendia ou não, optou por atender, pois considerou no momento que fugir não é a melhor solução, iria encarar isso

                 - Alô?

                 - Eu fui me despedir de você

                 - Marcos?

                 - Esse é o nome do seu novo namoradinho? Bem pra quem foi até minha casa hoje de manhã pra conversar sobre “nós” você até que esquece rápido né?

                 - Henrique, pelo amor de Deus, quem é você pra dizer alguma coisa? Você estava esperando alguém hoje de manhã, e outra o Marcos não é nada meu! Ele só foi ali se despedir de mim, pois ele é gentil e parece se importar comigo e advinha ... não espera nada em troca!

                 - Eu não estava esperando ninguém, eu não tenho ninguém, eu só queria que você fosse embora

                 - Bem, eu vim

                 - As coisas não precisavam ser assim

                 - Você as fez assim

                 - Mas se eu ...

                 - Mas nada Henrique, eu gosto de você, mas eu preciso gostar de mim primeiro, e eu preciso desligar, estou chegando em casa, e tenho coisas a fazer

                 - Você desistiu fácil demais de nós

                 - Eu não desisti, você me forçou a ver as coisas da sua maneira

                 - Então você não desistiu?

                 - Agora sim

                 Sabrina desligou depois disso, havia doído demasiadamente dizer aquelas palavras, porém eram as palavras necessárias naquele momento, precisamos saber separar o que queremos do que é melhor pra nós, nem sempre o que queremos nos basta, porém estamos temporariamente cegos ou lesados demais pra nos dar conta disso. Sabrina estava aprendendo a ser forte, a vida, a vida tinha voltado a ser como antes, pacata e simples.

                 Os dias se passavam e era comum acostumar-se a falta de Henrique, perguntava-se se algum dia ele já esteve realmente presente ao seu lado, pois o fato de alguém estar sentado do seu lado não significa que este mesmo alguém está do seu lado, os dias se passaram com uma rapidez extrema, e era triste admitir que essa seria sua realidade agora, o tempo não daria mais folga. Talvez seja essa a maior vantagem em ser criança, o tempo parece estar sempre a nosso favor, depois de certa idade entramos em uma corrida contra o tempo, e é nesse meio tempo em que diversas pessoas deixam de viver e passam apenas a existir.Ver sua familia de volta foi legal, mesmo que tenha passado pouco tempo fora, parecia ter sido anos. À três anos atrás quando fugiu de casa e passou duas semanas fora, escondida por ali mesmo, foi do mesmo jeito, desde pequena se declarava independente, mas sempre teve a sua família como seu porto seguro, por muitas vezes desejou sinceramente que algum deles morresse, porém se isso viesse de fato a acontecer ela morreria junto. Apesar de sua relação difícil com seu pai, demoraria um pouco pra se dar conta, mas sua mãe era seu ponto fraco.

                 Marlene, mãe de Sabrina, nunca disse eu te amo à alguém, apesar de amar muito sua familia, nunca conseguiu dizer isso a eles, nunca soube o porque, mas esta pequena frase de apenas três palavras e com um significado enorme, seriam palavras que nunca sairam e nunca sairiam de sua boca. Desde sempre se preocupara com seus três outros filhos, com Sabrina ela nunca se preocupou, confiava na filha e tinha certeza que ela seria capaz de superar e passar por cima de qualquer coisa.

                 Era domingo, no dia seguinte iniciariam as aulas, já estava tudo preparado, Sabrina já tinha até visitado alguns velhos amigos e amigas, não queria deixar a surpresa em ve-la para o dia seguinte, claro que todos se espantaram, ninguém ali naquela pequena cidade negaria uma oportunidade de deixa-la,e Sabrina tinha feito isso, mas isso num era nada, ela já era considerada incomum de toda forma, susto maior levou sua professora que a tinha indicado, todos sabiam que havia algo grave por trás dessa decisão, mas respeitavam a vontade de Sabrina de não tocar no assunto. Já havia até mesmo arrumado um emprego, que era na verdade um bico, ajudava um amigo de seu pai com o transporte ilegal de materiais que nem a mesma sabia do que se tratava, só precisava viajar com este homem às vezes nos finais de semana, o homem fazia tudo,aúnica coisa que ela tinha que fazer era agendar horários e visitas as pequenas cidades da região, com isso conseguiu realizar um de seus sonhos, que era juntar uma certa quanti e comprar seu tão sonhado computador, foi suado mas ela conseguiu, mas jamais admitiria que as vezes teve que saquear as economias de sua mãe pra poder completar mais rápido o dinheiro necessário. Desde pequena tinha essa mania de se necessário causar prejuizos a alguém se fosse pra seu benefício próprio. Era difícil ser uma menina pobre do interior, a maioria das pessoas da sua idade na pequena cidade viravam as costas pra ela, e ela nunca fez questão da amizade delas, tinha poucos amigos mas os considerava os melhores.

                 - Sabrina? –disse alguém

                 - Oi Mateus – gritou Sabrina feliz em vê-lo – Como você tá? Animado pra amanhã?

                 - Animado eu não estou não, mas temos que ir a luta né?

                 - Pois é

                 - Mas o que está fazendo aqui? Era pra você estar em aula em Goiânia neste exato momento

                 - Era né, mas eu desisti

                 - Desistiu? Quem desiste de ...

                 - Eu desisto – disse interrompendo-o – Eu desisto e existem zilhões de motivos que faria outra pessoa qualquer desisitir também

                 - Te compreendo caso não queira falar sobre isso

                 - Eu agradeço, então, espero que estajamos na mesma sala de novo né?

                 - Se Deus nos permitir

                 - Então tá ok, nos vemos amanhã, não some não viu?

                 - Pode deixar

                 Doia toda vez que alguém perguntava o porque de Sabrina não estar em Goiânia, doia, mas ela precisava se acostumar com isso, como dizia a música “até os sonhos têm seu fim” então já era hora, a noite se aproximava, e a cidade toda se calava, os dias de domingo ali eram assim, como um prato de comida quente e com cheiro bom, mas ao degustar era impossivel não se dar conta de que não havia sal ou nenhum outro tipo de tempero. Sabrina então passava suas noites em frente ao computador, e apesar de sentir tanto a falta de Henrique, naquela noite ao logar em uma de suas redes sociais, sentiu-se como se sua noite acabasse de ganhar uma pitada de sal, era Marcos, ele havia enviado uma solicitação, ela não sabia explicar porue, mas sentiu uma esperança que mexeu com algo dentro dela, e mesmo que ele tivesse prometido que ligaria naquela noite quando se despediu dela na rodoviaria, e ainda não tivesse ligado, foi bom ver que ele se lembrava dela, Sabrina aceitou a solicitação, na mesma hora recebeu uma mensagem, e dali em diante não pararam mais de falar, quando se deu conta já eram quase três horas da manhã, falaram sobre tudo, vida, trabalho, escola, sonhos e etc... Mas precisava dormir pois as sete tinha que estar dentro da sala de aula, e no primeiro dia de aula era sempre bom chegar alguns minutos antes para rever as amigos. Mal dormiu, logo pulou da cama, estava bastante animada em vista da menina de sorriso quebrado que chegara a dias atrás de volta em casa. Estava morta de saudades de seus amigos, lemabrava de tudo o que vinham aprontando desde a quinta série, logo de inicio aceitou fazer parte da equipe da Rádio Escola, adorava fazer parte de tudo desenvolvido pela escola, no ano passado havia viajado para Catalão em Goiás e passou semanas fazendo um curso de computação todo pago pela escola, os prefessores da escola a amavam e ela também era demasiadamente fã deles.


                 Não sabia explicar o porque, mas sentia um enorme desconforto em relação à algo desconhecido, a manhã de aula estava sendo muito divertida, era assim todos os anos no primeiro dia, depois vinha toda aquela matéria e dá pra ter uma noção de como fica. Chegava então o horário do intervalo, e era o combinado sairem pelos fundos do colégio pra ir no mercadinho do outro lado da rua pra comprar lanche, já era de lei, todos corriam, Sabrina era a última, parou e ficou ali parada por alguns segundo observando algo que pensava ter visto, algo que não lhe parecia estranho, até que um de seus amigos voltou e a chamou, ela decidiu deixar pra lá e foi com eles. Em momentos assim percebia que não havia feito a escolha errada quando decidiu voltar pra casa, neste momento seu momento de fraquesa que a levou a desistir de um sonho fazia tudo parecer que não foi um momento de fraquesa, e sim um momento de superação, logo um momento de força!

                  Eram 11:25h da manhã, horário de encerramento da última aula, ao tocar da sirene Sabrina sentiu algo estranho, era um mistura, que começava bom e terminava ruim, não considerou aquilo algo importante, se despidiu dos amigos, todos combinaram de chegar mais cedo no dia seguinte pra poder conversar, jogar conversa fora, tinham muitos assunto, as férias haviam sido agitadas não só para Sabrina. Lembrava-se então dos momentos nos anos anteriores quando ao termino das aulas, saia andando pelos corredores rumo a saída, passava por entre as pessoas assim como em um videoclipe teen, via as coisas em camera lenta e se sentia como a pessoa mais famosa do mundo, certo que estava bem longe da sua realidade, mas gostava de sonha assim, mas toda a vibe boa do dia veio ao chão quando ouviu alguém chamar seu nome, virou-se, neste momento as coisas pareciam realmente estar acontecendo em camera lenta, conhecia aquela voz

                 - Oque você está fazendo aqui? – Perguntou Sabrina assustada, não conseguia esconder que estava surpresa

                 - Bem, falei com meus pais, e como tenho parentes aqui, eles deixaram eu me transferir pra cá

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