terça-feira, 6 de março de 2012

Capitulo 004 - O Mundo Paralelo de Marcos

Capitulo 04

O Mundo Paralelo de Marcos

                 Será que o amor morre nas pessoas assim como morrem o de umas pessoas por outras? Como pode existir uma familia sem amor? Como agir quando seus piores inimigos são a sua prórpia familia? Ter que escutar sua madrasta jogar na sua cara que você é um erro e não poder fazer nada, pois seu pai concorda com ela. Sua mãe, você simplesmente tem vontade de matar quem menciona-la. E seu irmão mais novo, ainda tão novo, passa quase pelas mesmas coisas que você, logo você não pode contar com o apoio dele, porque tem dar apoio a ele. Sua mãe abandonou vocês quando muito novos, seu irmão era recém nascido. Seu pai considera você o motivo por ter sido abandonado por sua mãe, e antes mesmo disso, considera você o maior erro de sua vida pois foi graças a você que ele teve que estar ao lado daquela que as pessoas dizem ser sua mãe, as pessoas dizem, pois você se quer conhece ela. Ter visto uma pessoa não significa que você a conhece. Este é o mundo de Marcos.

                 Nunca foi de ter amigos, tem um único amigo, se é que pode chama-lo de amigo,se apaixonou uma única vez na vida e foi apenas um motivo a mais de frustração, dias atrás fugiu de casa, pois não aguentava mais tanto desaforo que era obrigado a ouvir em casa, procurava por um lugar pra ficar, por enquanto passava os dias em hotéis baratos. Não dava pra chamar de vida o que vinha lhe passando, porém, a dias atrás se perdeu no olhar de uma menina, enquanto procurava por um hotel ou pelo menos por um lugar onde ficar, passou pelo pensionato onde Sabrina vive, viu que ali não eram aceito meninos, no momento em que seu telefone tocou, era seu pai cobrando uma explicação, o menino havia fugido de casa simplesmente para fugir de conversas assim. Depois disso queboru seu telefone para que não fosse mais questionado. Porque seu pai iria quer-lo de volta em casa? Pra poder descarregar nele toda a raiva que o mundo lhe proporcionava? Não, muito obrigado. Marcos gostava de seu pai, no fundo gostava sim, talvez em toda essa história ele seja o dono da menor parte da culpa, mas tudo bem, não era o momento de dividir a culpa e dar as partes aos seus respectivos donos. Na rua a alguns dias, celular quebrado e o coração ainda mais, porém os olhos daquela menina não saiam da sua cabeça, era como se com apenas um olhar ela curasse todas as feridas dele, desde então, ele nunca saia de perto do pensionato, gostava de observar Sabrina de longe, em uma manhã viu que ela tinha algo com um menino, porém na mesma manhã tivera se dado conta de que o que existia entre eles havia terminado ali mesmo. Viu aqueles mesmos olhos permanentes, agora cheios d’água e sua vontade era de correr ali e conforta-la, tirar toda a sua dor. Em momentos assim, se sentia cheio de vida, mesmosem saber da existencia do mesmo, Sabrina fazia muito bem a ele.

                 Na manhã de hoje, estava ele ali, observando de longe uma possivel “conversa” entre Sabrina e Henrique, sim ele seguira ela desde então ... gostaria de estar por perto caso ela precisasse. Ouvia toda a conversa

                 Sabrina estava parada na porta da casa de Henrique e colocava-o contra parede, exigia uma explicação

                 - Eu só queria que você me explicasse o que é isso, você tem algum problema? Não precisa se preocupar pois esta é a última vez que eu venho te enconmodar, estou indo embora hoje, estou voltando pra casa, só gostaria de ir embora ciente do que aconteceu, foi alguma coisa que eu fiz?

                 - Nós não temos mais nada pra conversar

                 - Então você se aproxima de mim, depois muda completamente só porque eu não tenho o mesmo que a Gabriela tem? Que tipo de pessoa é você?

                 - Sou o tipo de pessoa que precisa pensar em si próprio, pois se eu não fizer isso ninguém fará

                 - Henrique, seja verdadeiro com você mesmo, eu sei que você não é assim, você acha justo ?

                 - Ninguém foi justo comigo

                 - Você é ingrato por dizer iss...

                  - Não estou falando de você! – disse interrompendo-a – Você não tem culpa, você é até legal, mas eu não posso te iludir e muito menos me iludir, nossos mundos sãomuito diferentes e é sério, não vejo futuro para nós

                 - Você está falando de dinheiro de novo?

                 - Não te pedir pra que você me compreenda, aquele dia eu posso ter dito coisas sem pensar, estava bebado, peço deculpa se disse algo que te maguou, você não merece isso, mas você deveria ter me dito sobre a sua situação, teriamos nos polpado

                 - Eu não me arrependo de nada que fizemos

                 - Mas eu me arrependo! Você deveria ter uma maior noção das coisas

                  - Henrique você disse que me amava, e eu pensei que...

                  - Esqueça o que eu disse, eu nem sei o porque de ter dito isso a você, mas assim, seria legal se você fosse embora agora

                  - Eu não posso ir sem ter uma resposta eu preciso entender o porque

                  - Sobre nós você não precisa entender mais nada, entenda apenas que eu estou esperando alguém, inclusive quando abri o portão, abri rápido porque pensei que era quem eu estava esperando e pra ser sincero com você, não vai ficar um clima muito legal se ela chegar e ver você aqui

                 - Você já tem outro alguém?

                 - Tenho sim

                 Foi então que Sabrina se deu conta de que Henrique era mesmo tudo aquilo que ele havia dito, em sua cabeça ecoava uma voz que dizia “idiota”. O siléncio permaneceu por alguns minutos, os olhares entre eles diziam algum tipo de adeus. Isso machucava muito, o fato de ele manda-la embora mas seus olhos parecerem implorar para que ela ficasse. Sabrina deu um passo para trás, pronta para deixar tudo para trás, ele não tentou impedi-la, naquele momento lembrou-se de uma passagem que dizia: “Se você se afastar de alguém e este alguém não fizer nada para te impedir, saiba que você está fazendo a coisa certa!” Então respirou fundo, com um sorriso triste no rosto, abaixou a cabeça e saiu sem dizer nada. Henrique ficou ali parado no portão olhando enquando ela saia, alguns passos depois ele fecha o portão lentamente, ela então olha pra trás e sente o seu coração se fechando também. Do outro lado do portão, depois de fechar o portão Henrique senta-se no chão e não consegue segurar o choro, sua maior vontade naquele momento era abrir o portão, gritar Sabrina e pedir perdão, depois dizer que a ama, essa era a sua verdade, mas porque é tão dificil admitir? Só porque Sabrina não pode dar a ele a segurança financeira que ele tanto se importa? E seria ele feliz sendo um parasita? Eram muitas perguntas para poucas respostas

                  Depois dali Sabrina sai e anda alguns quarterões, indo rumo ao pensionato, precisa arrumar suas coisas e voltar pra casa, caminha até o ponto de onibus, entra no onibus e senta-se, olha pela janela tantas pessoas felizes, porque esta mesma felicidade é agora negada a ela? Ela se pergunta, mas essa não é a questão, é chegada a hora de voltar pra casa e admitir que falhou devidamente por ter colocado os estudos em segundo plano e se aventurar em uma paixão sem futuro

                  - Eu sei o quão as coisas tem sido difíceis pra você – Sabrina ouve alguém dizendo, era Marcos e sentando-se ao lado dela continua - Mas você precisa deixar isso pra trás, pois você não pode corrigir as coisas, não podemos voltar no tempo, a única vez que podemos voltar no tempo e próximo ao fim de fevereiro quando termina o horário de verão e então voltamos uma hora, e em uma hora, dependendo do que for não se dá para fazer nada. E ainda assim não é de graça, em novembro o tempo volta e te cobra essa hora.

                 - Eu me lembro de você – disse Sabrina, com um pequeno sorriso no rosto – você é o menino stressado que estava na porta do pensionato dias atrás né?

                 - Sim, sou eu mesmo, desculpe-me por aquele dia

                  - Você não precisa se desculpar, na verdade eu sim, você mesmo sem eu saber o porque está sendo legal agora comigo, também não sei como você sabe mas eu estava mesmo precisando de palavras assim agora e naquele dia era vocêquem precisava e eu fui tão mesquinha que te deixei ali na rua sem ao menos perguntar se estava tudo bem.

                 - Não era obrigação sua, está tudo bem

                  - Mas você poderia estar passando mal ou algo do tipo

                 - Você não é daqui né – sorriu – as pessoas aqui geralmente não se importam se você está morrendo ou tendo um filho em meio a rua, realmente não se importam.

                 - É, infelizmente eu me dei conta disso, as pessoas aqui não se importam se vão ou não te machucar

                  - Mas nem todos são iguais

                 - Eu sei

                 - Se você precisar, saiba que pode contar comigo

                  - Obrigado, eu até diria o mesmo se eu não estivesse indo embora hoje

                  - Você vai mesmo embora? Você não pode desistir dos seus sonhos assim só porque algo tão pequeno deu errado, olha a sua grandeza, você é grande e Deus, Deus é maior ainda e está contigo, você é no minimo ingrata a ele se desistir dos seus sonhos por algo tão pequeno

                 - Você parece me conhecer tão bem, é até engraçado

                 Por alguns segundo, Sabrina o olhava tentando entender o porque, pensava que talvez Deus tivesse mandado alguém para dizer aquelas palavras, sua fé era tamanha, então enxergava aquilo como um sinal ou uma prova viva de Deus em sua vida. O Onibus chegou no ponto do pensionato, Sabrina desceu e Marcos também.

                 - Então, até mais Sabrina

                 - Até mais

                 - Estou no naquele hotel – disse apontando o dedo, ficava no próximo quarterão – qualquer coisa que precisar pode me procurar.

                 - Tudo bem, Obrigada

                 Sabrina voltou ao pensionato, arrumava suas coisas pra poder ir embora, havia ligado para casa e comunicado sua volta, amava a idéia de estar de volta em casa, mas não podia se declarar a pessoa mais feliz do mundo, eram quase 5h da tarde já, seu onibus de volta pra casa saia às 7h da noite, todas as suas coisas já estavam prontas.

                 Gabriela, chega ao quarto e começa a conversar com ela, as duas conversam por alguns minutos, sobre vida, cotidiano e futuro. Sarina se desculpa pelas vezes que a tratou mal, Gabriela era uma pessoa legal. O Celular de Gabriela toca e ela se surpreende ao atender, realmente não via um motivo lógico pra voltar a te ligar, porém o motivo da ligação não era ela em si, mas sim Sabrina. Há alguns metros dali, Henrique não conseguia se conformar com a idéia de Sabrina estar deixando a cidade, havia ligado pra Gabriela pra saber se seria mesmo verdade, Gabriela confirmou, porém não disse nada a Sabrina, pois pelo pouco que a conhecia sabia que aquilo iria causar uma certa esperança, pois apesar de esperta diante da vida, era frágil com assuntos do coração.

                 Sabrina colocou sua mochila nas costas e se despediu das pessoas dali, não podia chama-los de amigos, não teve tempo de concretizar isso. Era estranho deixar tudo pra trás, se sentia uma pessoa tão fraca por estar desistindo assim por quase nada, mas é que pra ela isso que as pessoas enxergavam como “quase nada” já havia se tornado importante por demais, e ela era incapaz de olhar nos olhos de alguém que lhe magoara alguma vez. Era mais fácil voltar pra sua cidade pequena e sem oportunidades de crescimento, porém lá as pessoas não se machucavam e não eram tão egoístas. Entrou no onibus e seguiu pra rodoviária. Chegou lá já eram quase 7h da noite e por pouco não consegue passagem, foi para Goiânia só pra passar as “férias”, as aulas começariam na próxima semana, e agora começariam pra ela ainda em Orizona.

                 - Oi, não poderia deixar você ir sem antes pegar seu telefone – Disse Marcos sorrindo – me esqueci de pegar hoje mais cedo.

                 - Oi Marcos, anota aí

                 Conversaram por alguns minutos, até o momento em que as pessoas começaram a entrar no onibus. Sabrina se sentia muito segura ao lado dele, e ele se sentia o cara mais forte do mundo ao lado dela, era como se toda a sua fragilidade e problemas familiares desaparecessem, ele se sentia capaz de qualquer coisa e amava essa sensação, mas do que isso ainda não tinha se dado conta, mas amava Sabrina. Havia chegado o momento do embarque, Sabrina deu-lhe um abraço e se despediu, disse “até logo” e ele jurou que ligaria, ela é claro não acreditou, porque ele ligaria? Marcos ficou ali sentado até que o onibus saisse, quando saiu ele observou até que o mesmo fizesse a última curva. Dentro do onibus, Sabrina se despedia da cidade pela janela, era uma cidade tão bonita e ela não havia aproveitado nada dela. A ficha só caiu quando ela sentiu o tremor domotor do onibus ligando, lá fora Marcos acenava, ele era legal, seus olhos fotografavam a cidade toda, mas sim, teve algo que a surpreendeu, na saída da estação rodoviaria estava ali parado observando de longe, Henrique a observava, ele precisava ver com os próprios olhos que era verdade, naquele momento havia sentido vontade de descer, correr e abraça-lo, mas ali mesmo fez uma promessa a si mesma: Jamais se deixaria abater por alguém, seria forte como uma pedra, uma pedra que tudo suporta. Henrique fazia parte do seu passado, não queria mais voltar e se magoar de novo, continuava por usar a mesma teoria: “A confiança é como vidro, depois que se quebra não compensa você se expor ao risco de se cortar tentando consertar” Foram quase 4h de viagem até chegar em casa e ao chegar em casa, sentiu-se aliviado e ao mesmo tempo uma sensação de fim de festa, e por mais que fizesse calor, aquela seria uma de suas noites mais frias, estava a uma esquina para chegarem casa, quando seu telefone toca, com o celular no bolso, ela sente a vribração e naquele momento seu coração ao mesmo tempo que vibra também congela, o DDD era de Goiânia, mas quem seria? Deveria Sabrina atender ou deixar Goiânia enterrado em seu passado?

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