segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PRÓLOGO

PROLOGO

                Se pudessemos voltar atrás, nunca seguiriamos em frente. Perdoar, uma palavra tão pequena, mas com um significado tão grande, mas nem sempre é suficiente ser perdoado, devemos primeiramente nos perdoar, eis o mais difícil. Ás vezes perdoamos erros tão imperdoaveis, pois não conseguimos nos ver sem certas pessoas egoístas, perdoamos pelo simples fato de ainda querer estas pessoas em nossas vidas. Esquecemos do nosso orgulho, esquecemos até de nós mesmos por amor, deveriamos querer junto a nós somente aquelas pessoas que também precisam de nós para sobreviver, porque afinal, somente o que é verdadeiro permanecerá, se não for do seu lado, será dentro do seu coração. E quando você se quebrar, muitas pessoas irão dizer que tudo ficará bem, mas somente uma pessoa pode fazer com que realmente fique, você!



                03 de Setembro de 2006, aniversário de 16 anos de Sabrina, como já era de costume acordou e até depois do almoço ninguém havia lhe parebenizado, ninguém nunca se lembrava e ela nem se importava. O mundo era grande e fascinava a cabeça desta pequena menina do interior. Morava em uma cidade pequena a 140KM da capital, cidade esta chamada Orizona. Mas sabia que um dia sairia dali, pois destino não seria uma questão de sorte e sim uma questão de escolha, ela não era do tipo que esperava as coisas acontecerem, era o tipo de garota que buscava e lutava por aquilo que considerava seu. Não planejava nada pois sabia que as melhores coisas da vida aconteciam por acaso. Desde criança havia aprendido a ser forte sozinha, era ciente de que ninguém poderia ser forte por ela.

                Sua idade eram 16, mas sua maturidade apresentava bem mais, não tinha uma história triste pra contar, mas deste aniversário em diante tudo mudaria. Pois simplesmente quando parou de se importar e de correr atrás de uma felicidade superficial, se deu conta de que a vida estava vindo atrás dela e cobrando muitas coisas. Começou a conhecer pessoas, 3 em especial, que ao conhecer não deu nada por elas, mas mal se dava conta da mudança que estas pessoas fariam em sua vida, eram elas: Henrique, Marcos e Fabiana.


                Ela estava diante da solução de todos os seus problemas, e ao mesmo tempo teria alguém que lhe proporcionaria os perigos da vida, perigos estes que lhe trariam sensação de vida. Só lhe restava saber do que precisaria agora. Afinal, todos hoje em dia buscam por um amor verdadeiro, porem quando se deparam com um não se sentem prontos pra isso. E Sabrina? Saberia lidar com isso? Até onde seria capaz de ir por um amor julgado por muitos como anormal? Até onde seu amor próprio cuidaria de si? Ela não sabia a decisão certa, mas sabia que estava a fim de jogar este jogo, dançaria a música que tocasse, porém não sairia do jogo enquanto não se considerasse a vencedora. Pensava que seria forte o suficiente, mas em diversos momentos de sua vida se surprenderia, pois neste momentos a única certeza que tinha era que precisava tomar cuidado com aquilo que pedia pra Deus


                Às vezes vivia num mundo paralelo, mas nunca sozinha, sua casa era sempre muito cheia, uma familia de 5 irmãos, Sabrina era a mais velha das meninas. Odiava seu pai por motivos óbvios mas sua mãe era seu maior Idolo, adorava acordar e ver que ela estava sempre ali apta pra conversar.



                - Não vai tomar Café? – disse sua mãe

                - Já estava indo – respondeu

                - O Patrick ligou, pediu pra falar com você e eu disse que você estava dormindo, ele pediu pra você ligar de volta quando acordasse, você vai ligar?

                - Mãe, eu sou madura pra perdoar, mas não sou idiota a ponto de confiar outra vez

                - Filha, o amor é deste jeito mesmo, tem dias que te faz sorrir e dias que te faz chorar, você precisa saber lidar com isso.

                - Não sou de ficar dando murro na ponta de facas, e também, entre eu e o Patrick não chegou a ser se quer amizade, ainda mais amor. E eu nem sei porque ele se preocupou em me ligar hoje, alguém deve ter escondido o espelho dele – disse deixando escapar uma risadinha irônica

                - Pensei que vocês se davam bem, pelo menos era isso que vocês passavam

                - Não tenho nada contra ele

                - é engraçado que ninguém nunca te deixa pra baixo, admiro isso em você

                - Não sei porque você está falando isso, você me conhece melhor que qualquer um, e sabe que as pessoas se machucam, a diferença é que algumas conseguem disfarçar

                - Então é mesmo melhor que você não o queira mais na sua vida

                - Eu não tiro ninguém da minha vida mãe, eu só deixo de priorizar quem me trata como uma opção apenas, as vezes nos enganamos com algumas pessoas, e deixamos...

                Neste momento foi interrompida, por seu irmão mais velho, que entrou no quarto com a respiração ofegante, havia tido um sonho ruim, no qual via Sabrina dividida entre 2 caminhos, e sofria muito por não saber o certo a seguir. Não tinha motivos pra aquele drama todo, mas as coisas ficaram estranhas quando seu irmão parou de falar e a abraçou, no mesmo momento o telefone tocou, Sabrina atendeu:

                - Alô?

                - Gostaria de falar com Sabrina Santos Silva por favor

                - É ela mesma, quem gostaria?

                - Bom dia Sabrina, meu nome é Maria do Carmo e sou do Colégio Planeta, aqui em Goiânia, e estou entrando em contato pra informar que recebemos sua solicitação e você foi escolhida dentre a seleção e estará recebendo de nosso colégio uma bolsa de estudos até o encerramento do terceiro ano do ensino Médio.


                Sabrina não soube o que dizer, apenas agradeceu, depois de desligar comentou com sua mãe, que julgou ser uma pegadinha de quem não tinha nada pra fazer, ou em última hipotese seria uma ação de sua professora Elizabeth que acreditava que Sabrina tinha um futuro brilhante e que aquela cidade pequena não tinha estruturas para ela. Logo, ligou para sua professora pra ver se tinha partido dela, e não se surpreendeu a ver que sim, havia partido dela. A professora se desculpou por ter tomado a liberdade de fazer sua inscrição, mas acreditava muito no potêncial de Sabrina, por fim completou que queria lhe garantir um presente de aniversário maravilhoso, a propósito,desejou-lhe feliz aniversário.


                Havia chegado o momento, as mudanças na vida de Sabrina haviam começado, porém, isto não era de longe nem 1% de tudo que aconteceria nos próximos meses. Confiante, Sabrina coloca a mão no peito, com um olhar esperançoso, não tinha nada a deixar pra trás, porém tinha muito a buscar. Ela estava entrando no jogo, acreditava firmemente naquilo, sabia que tentar não era o suficiente, queria aproveitar cada segundo daquilo, se preocupar consigo mesma e esquecer o mundo, afinal ... manter seu coração vazio agora lhe cairia bem, pelo menos era melhor do que um coração partido. Só que não sabia das surpresas que a vida lhe reservava.


                Três semanas se passaram, era um domingo, no dia seguinte Sabrina já teria que estar na capital pra realizar as provas exigidas pelo colégio, arrumou as suas coisas,e se despediu de seus familares em um último almoço em família, depois disso passaria no mínimo dois anos longe, visitando só às vezes. Sua familia apesar de unida, nenhum deles sabia expressar o que sentia, preferiam estar sempre fechados, eram muito simples. Era estranho até imaginar dando um abraço em algum deles, sendo assim se despediu com palavras mesmo. Pegou o ônibus as 05:00h da manhã na segunda, chegaria lá por volta das 07:00h e sua prova estava marcada para as 13:00h. Ao chegar na capital, não conseguiu esconder que estava impressionada com aquilo tudo, a capital era bonita, isso porque nem tinha chegado a ver como ela ali com todas as luzes acesas. Procurou o pensionato para meninas que havia encontrado na agenda telefônica com a ajuda de sua professora a duas semanas atrás, ao chegar lá decidiu dar uma última revisada na matéria, sabia que apesar de ser aceita na seleção, era obrigada a se dar bem nestas provas, pois elas garantiriam ao Colégio o que sua professora Elizabeth garantiu em palavras. Estudou bastante, não parava se quer para tomar água. Quando já se sentia confiante o bastante parou para tomar um ar, quando se deu conta que já eram 12:40h e levando em conta que o colégio ficava um pouco distante do pensionato, pois já não morava mais na cidade com pouco mais de 10.000 habitantes, correu. Já eram quase 13:00h quando chegou ao portão do colégio, toda desajeitada, se preocupava em mostrar uma boa impressão na prova e não no visual, nunca fez o seu tipo ser vaidosa, acreditava que beleza exterior poderia atrair, mas o que fazia com que as pessoas quizessem você sempre por perto era mesmo a beleza interior. Não que Sabrina não fosse bonita, ela era linda, o problema era que não era do seu feitio ficar horas no banheiro se pintando. Entrou no colégio tão depressa que mal teve tempo de se assustar com seu tamanho, havia passado a vida estudando em uma escola que tinha uma sala para cada série e ali deveria haver um andar para cada série, correu no corredor onde ficava a sua sala, ao entrar na sala assustou-se ao ver que não tinha niguém, mas entrou tão depressa que mal se deu conta do vulto que a arremessou longe


                - Você está bem? – perguntou um garoto

                - Sim, sim, mas cadê todo mundo? – respondeu, já fazendo outra pergunta

                O mundo naquele momento o mundo havia parado dentro de Sabrina, quem seria aquele menino tão bonito, por um segundo até se esqueceu do porque havia ido ali, logo voltou a si

                - Eu vim para fazer a prova

                - Calma, ainda não começou, agora que acabou de terminar a aula do primeiro ano.

                Ele não falava com sotaque, parecia tão perfeito e cuidadoso com ela

                - Você não é daqui é? – Perguntou ele

                - Não, ainda, mas pretendo fazer parte no ano que vem

                - Legal, seja bem vinda então, meu nome é Henrique, o seu é?

                - Sabrina – Respondeu com vergonha pelo seu cabelo desajeitado

                - Tenho que ir, boa sorte com a sua prova

                - Que prova?

                - Você num disse que veio fazer uma prova?

                - Ah sim, Obrigada – Riu, ajeitando o cabelo

                - Nos vemos em breve


                Sabrina tinha um segredo, que nunca havia chegado a comentar com alguém, porém sabia que ter conhecido Henrique era um sinal de qe poderia mudar isso e também, que o ano seguinte, valeria muito a pena. Ao mesmo tempo que se sentiu feliz por conhece-lo, sentiu uma enorme dor no peito devido o mistério que trazia consigo, poderia esse mistério arruinar o seu ano? Ela não deixaria. Enquanto fazia a prova, sua cabeça não conseguia parar de pensar em Henrique, tanto que até escreveu com a caneta seu nome no pulso, ela não estava apaixonada, nem seria possivel, tinha apenas trinta minutos que o conhecia, mas ele a impressionava. Os meninos da cidade grande eram diferentes, pareciam já nascer com um manual de instruções,eram diferentes dos meninos do interior que só se importavam com seu futebol e a cervejada no fim de semana, além de só se importarem com eles mesmos. O que fazia com que ela desgostasse dos meninos da sua cidade era o fato de eles não terem perspectiva de vida, não planejavam um futuro e estavam sempre seguindo um mesmo padrão, e ela via aquilo como um decliniio. Terminou a prova, conforme fossem terminando, entregavam a prova e poderia sair, Sabrina entregou sua prova e foi saindo em direção a porta, quando colocou sua mão na maçaneta, alguém bateu do outro lado, ela abriu, mas abriu para sair e não para atender quem estava do outro lado, ao abrir a porta se depara com Henrique todo suado.


                - Esqueci meu livro de Biologia debaixo da carteira – Disse Henrique cansado, parecia ter corrido até ali

                Sorriu para Sabrina como se sorri para qualquer pessoa, com educação. Ela que ainda segurava a maçaneta, não sabia o que dizer, apesar de querer, não esperava se encontrar com Henrique de novo tão cedo, ele pretendia passar, entrar na sala para pegar seu livro, mas ela estava ali, parada na porta sem reação, ele pegou na porta como quem pede licensa para passar e era impossivel não ver seu nome escrito no pulso de Sabrina, esqueceu o livro, olhou para ela, e pela primeira vez seus olhares se cruzaram.

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