Capítulo 01
Sabrina e Seu Casulo
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Era noite, fazia frio e parecia que o mundo todo adormecia, menos ela, Sabrina. Sua cabeça pensava em zilhões de coisas, não havia como explicar como se sentira naquela noite, tinha meia dúzia de amigos, porém não poderia ligar pra nenhum deles naquele momento, não pelo horário e sim pelo fato de não confiar em nenhum deles a ponto de falar sobre o que a deixava daquele jeito. Mas mesmo sem poder contar com nenhum deles, sorria, um sorriso amargurado, ao lembrar-se de uma frase que uma vez um desses amigos escrevera para ela, dizia: “Existem pessoas que passam por nós e deixam um pouco de si, e tem outros que levam um pouco de nós. Porém existem pessoas que simplesmente permanecem”. Assim era ela. Uma menina comum, se não fosse pelo fato de permanecer na vida de todos por onde passava. Era cativante, e seu sorriso parecia fazer com que todos os problemas do mundo desaparecessem. Tinha sempre a coisa certa a dizer, no momento exato, seja em casa, com amigos, ou mesmo pra tapar as feridas causadas pelo amor. Não acreditava no amor, pelo menos era o que dizia, tudo por causa de uma decepção no passado. Seu lema era o funk que dizia: “Quem vive de amor é dono de motel”, porém quem a conhecia de verdade sabia que por baixo de toda aquela marra existia, na verdade, uma criança frágil.
Acreditava que quem ama perdoa, da mesma forma que pensava que quem ama não fere. Pensava assim, até a primeira vez em que se apaixonou, então se deu conta de que o amor fere, mas era melhor sofrer com ele do que tentar ser feliz sem ele. De uma coisa ela tinha certeza; Sabia que o que era verdadeiro nunca voltava, porque o que era verdadeiro não ia embora nunca. O que você não aprende vivendo, você aprende quebrando a cara, Sabrina tinha apenas 16 anos e estava pronta pro mundo. Pelo menos se sentia, pois nunca havia se que saido daquela cidadezinha do interior.
Agora estava morando na capital, no pensionato onde morava ainda não tinha feito amizade alguma, se bem que devido o segredo que guardava não costumava fazer amizades, tinha colegas. E ainda assim não durava muito a boa convivência. Não era muito sociável, acreditava que estar só significava que ao mesmo tempo que você não tem ninguém pra conversar e dividir os bons momentos, também não teria ninguém pra te machucar, e isso era o que importava agora.
Sempre esteve “apaixonada”, porém nunca teve um namorado, sempre que se via quase entrando em um relacionamento, havia algo que não a permitia de entrar de vez. Este mesmo algo que sempre a impedia de fazer amizades. Mas e agora, será que se deixaria se aproximar de Henrique? Embora quisesse não tinha ceteza absoluta se conseguiria, pelo menos tentaria, não tinha nada a perder. Resolveu sair pra conhecer a cidade, tinha medo de se perder, mas iria mesmo assim, o medo a excitava. Sempre foi fascinada por tudo que lhe dava medo, e Henrique lhe dava medo, ela tinha medo do que se passava pela cabeça dele, pois os garotos do interior era previsíveis, mas Henrique não.
Ao sair pela cidade, foi andando em direção ao colégio, depois de ter feito a prova e ainda mais com o incidente com Henrique na porta da sala, saiu de lá tão rápido que se quer deu uma volta para conhecer a escola nova. Passou na porta do colégio, e decidiu entrar e dar uma volta, pois haviam diversas pessoas entrando, logo ninguém a perceberia, nas escolas do interior ninguém podia ir até a escola fora do seu horário de aula. Achava o máximo ver que seu colégio era também uma loja enorme e tinha até um cinema, sua inocência era tamanha que não havia se dado conta que se tratava de um Shopping, seu colégio era situado dentro do Araguaia Shopping, que além disso tudo também era o principal terminal rodoviário de Goiânia. Saiu dali, estava fascinada, e ainda andou mais e mais pela cidade.
- Oi? – Disse uma garota
- Oi, não estou lembrada de você – respondeu Sabrina
- Eu estou no mesmo pensionato que você, vi você no refeitório
- Ah legal – Disse tentando encurtar o assunto
- Você não é daqui né?
- Não, sou de Orizona
- Não acredito! Você é dos Estados Unidos?
- Não sou de Goiás mesmo - Respondeu sorrindo, geralmente as pessoas confundiam Orizona com o Arizona
- Vamos tomar alguma coisa?
Sabrina aceitou, embora tivesse medo de onde poderia dar tudo aquilo, precisava de companhia para conhecer a cidade, seria mais fácil se tivesse alguém que já conhecia ali. As duas passaram uma tarde ótima, riram bastante e conheceram boa parte da cidade, chegaram no pensionato já era quase noite, ao chegar, a mulher que era responsavel pelo pensionato disse a Sabrina que ligaram do colégio e pediram pra ela comparecer lá no dia seguinte. Ela sentiu a barriga gelar, pensava tudo o mais negativo possível, seria aquela a pior noite de sua vida, seu medo ao mesmo tempo que a fascinava deixava-a com vergonha de voltar para sua pequena cidade e assumir para todos que foi um fracasso nas provas. Mal dormiu a noite inteira, quando acordou, depois de ter dormido às prestações, não conseguiu se quer tomar café, ela estava ali representando seus conterrâneos. Em momentos assim pensava no casamento de seus pais, era de longe a mior mentira que já tinha conhecido, era uma mentira para seu pai, mas para sua mãe seria a melhor coisa que já lhe acontecera. Seu pai sempre fazia um joguinho com sua mãe
- Me abrace agora, pois agora você pode, não quero você desejando que eu estivesse aqui quando eu fo apenas uma lembrança – Dizia seu pai à sua mãe
Um ano atrás eles haviam se separado, se separaram e não arrumaram ninguém, eram duas pessoas solitárias, não tão solitárias quanto quando eram casados ainda. Eles viviam um mentira enorme, uma história que parecia linda na cabeça de Marlene, mãe de Sabrina. Tinha medo de crescer e ter um csamento igual o de seus pais, prefiriria milvezes ser uma velhinha beatta do que ter um casamento daqueles. Teve noites que passou a noite toda acordada escutando seus pais discutirem, uma vez, quando ela ainda tinha apenas 7 anos, seus pais tiveram uma briga feia, sua mãe arrumou todas as coisas de seu pai e disse que nãoa em prantos n queria ve-lo nunca mais, mandou-o embora, Sabrina em pranto não entendia nada, mas a única coisa que não queria era ver seu pai, seu herói, saindo por aquela porta, foi quando começou a arrumar as coisas de seu pai de volta no lugar, chorava muito, aquilo fez com que seus pais paracem de brigar, por alguns minutos eles se sentiram cmo se ela tivesse mais maturidade que os dois juntos. Sarina sempre teve bastante maturidade, para tratar de problemas dos outros, mas quando era pra tratar dos seus próprios se perdia toda.
Enfim, saiu de casa e correu pro colégio, já estava se confortando à espera de uma má notícia, dentre tantos alunos de cidade grande, que vinham de escolas grandes não haver que não era ao a mesmo uma chance para ela, mesmo se considerando uma privelegiada de Deus, sabia que não era boa o suficiente para lidar com eles. Chegando lá, mal teve que esperar, a diretora do colégio já estava a sua espera.
- Sabrina Santos Silva? – Perguntou a diretora
- Sim senhora- Respondeu aflita
- Tenho aqui em minhas mãos a sua prova de ontem, e pelo que ouvi de você, confesso que esperava mais de você. O que tem a me dizer sobre isso?
- Perdão, de certa forma sabia que não tinha dado o meu melhor
- A única pessoa que pode te perdoar é você mesma, eu, o máximo que posso fazer é te dar uma segunda chance
- Se me der uma segunda chance prometo fazê-la digna
- Porém não terá achance de revisar, terá que fazê-la agora
Sabrina engoliu seco, não tinha como não aceitar, precisava daquela oportunidade, já que desperdiçou a primeira com a caeça em Henrique, alguém que mal conhecera e que não permaneceria em sua vida, não havia lógica para que ele permanecesse. Fez a prova em menos de meia hora, a diretora corrigiria e daria o resultado ali mesmo. Conseguia pensar unicamente em uma desculpa para contar em casa, e se surpreendeu quando ouviu o resultado
- É isso aqui que eu esperava, sabia que você tinha potencial , só não consigo entender porque não mostrou isso na primeira vez
- Talvez estivesse um pouco impressionada com a cidade – Riu – Obrigada pela segunda chance.
- Não foi nada, mas é melhor abrir o olho, nem tudo na vida lhe proporciona uma segunda chance
- Sei como é – Sentiu-se envergonhada
- Você começa na semana que vem – Disse a diretora
- Semana que vem? – Perguntou assustada
- É, algum problema para você?
- Não, mas é porque achei que começaria em janeiro
- Embora você tenha sido aprovada já no terceiro bimestre, não damos mole para os alunos aqui e você precisa se inteirar sobre a matéria para não ficar como uma peixe fora d’água no ano seguinte.
- Compreendo, e não, não tem nenhum problema para mim, é até legal, preciso me ocupar
Foi saindo da sala da diretora aliviada, porém seu alivio durou pouco, ao passar pelo corredor em direção ao portão de saída viu Henrique de longe, parecia bastante popular na escola. De longe ele a olhou e parecia estar pensando “olha lá a menina louca que se apaixonou por mim”, então ela apresou o passo para poder sair logo dali, até que o viu se levantando e vindo em sua direção
- Você de novo por aqui, é bom te ver – Disse como quem quer puxar um longo papo
- Estou só de passagem, preciso ir – Respondeu, tentando evita-lo
- Vai lá então, nos vemos em breve
Ele mexia demais com ela, mas ela ainda não tinha certeza se queria aquilo pra sua vida, sentia medo e insegurança, ao mesmo tempo que pensava que aquilo era um sonho, sonho este que vem esperando a tempos. Henrique parecia adivinhar tudo o que ela queria, seus sonhos mais intimos, mas se dava conta de que ele não sabia quando lembrava do segredo que guardava, ele jamais se aproximaria dela se soubesse. Ela já havia sentido isso com outros garotos e era sempre uma decepção atrás da outra, havia se dado conta de que ninguém é capaz de nos decepcionar, somos nós quem esperamos muito de quem não tem nada a nos oferecer. Então decidiu que não esperaria nada de Henrique, se algo tivesse que acontecer que fosse naturalmente.
Patrick, às vezes ainda ligava pra ela, ela não sabia porque e nunca atendia, tinha saido com ele duas ou três vezes, mas ela não sentia nada por ele, nem mesmo amizade, sentia ás vezes dó, por ele achar que o mundo era só sair e beber todas, ficar inconsciente de tanto beber, era pena, só isso. Sabrina tinha poucos amigos, não gostava muito de sair de casa, acompanhava todo o guia diário da TV, qualquer coisa que você perguntasse sobre a programação diária da TV ela saberia te responder.
Naquela noite, depois de sair do colégio e ter conseguido por pouco não decepcionar seus pais e a professora Elizabeth, deitou-se em sua cama e ligou o celular no rádio, pois não tinha costume de lotar o cartão do celular com músicas, era o tipo de pessoa que mudava seu humor com uma música. Se tocasse eletro ela ficava super feliz e se imaginava dançando em uma boate cheia de luzes, se passasse uma música deprê ela refletia conforme as coisas que a letra da música dizia. Naquela noite, ao ligar o rádio estava tocando Breakaway da Kelly Clarkson, parecia ser a única música que as rádios tocavam em 2006, mas a letra descrevia aquele momento, ela havia mesmo crescido em uma cidade pequena e estava ali para brilhar, e o mais importante, não se esqueceria de onde veio e muito menos daqueles que amava. Neste momento sentiu saudade de casa, havia pouco tempo que havia saido de lá, porém já sentia falta de acordar e dar om dia a sua mãe, que sempre levantava e ia correndo preparar seu café. Nunca tinha dito “eu te amo” para sua mãe e se culpava por isso. Uma vez fazendo um trabalho da escola primária, para o dia das mães, escreveu em um cartão “eu te amo mamãe” enquanto estava deitada no chão escrevendo, sua mãe perguntou se seria mesmo verdade, e ela respondeu que ra apenas um trabalho da escola, por mais que sentisse amor por sua mãe, sentia-se frágil em dizer esta frase, por isso, poucas vezes dizia. Cresceu assim pois, sempre teve a cabeça aberta e percebia que quando alguém dizia que amava outra pessoa, tornava-se vulneravel ao dizer, era como se derrubasse todas as suas barreiras de proteção. Não deveria ser assim, deveria ser o contrário.
O dia amanheceu, Sabrina saiu para comprar algumas coisas para começar na semana que vem, saiu pela rua, um dia quente e muito bonito, só não era mais bonito do que o garoto com quem se depararia, era Henrique, ele parecia persegui-la, pois em uma cidade com mais de um milhão e quase meio de habitantes todas as vezes que ela saia se deparava com ele. Se fosse em Orizona tudo bem, mas ali não. Ele mais uma vez se aproximou
- Pode vir comigo – disse ele
- Estou com um pouco de pressa - Respondeu
- Está tentando me evitar depois do que eu vi escrito no seu pulso
- Acho que você não é o único Henrique do mundo – Disse com ironia
- Mas tenho certeza que sou o único que você olha deste jeito
- De que jeito?
- Deixa pra lá, não quero parecer egoísta – Entregou-lhe um papel dobrado e continuou – Este é meu numero, só queria que soubesse que isso eu acontece com você, também acontece comigo, se quiser conversar sobre isso depois, vou estar te esperando.
Saiu sem dizer mais nada, ela tinha se esquecido até mesmo do que havia saido para fazer, porque ele mexia tanto com ela? O que ele iria querer com ela? Ela não tinha nada pra lhe oferecer, e isso fazia com que ela se sentisse especial. Lembrou-se que tinha que comprar seus materiais, comprou e voltou para o pensionato, chegando lá aquela mesma menina com que havia saido no dias atrás estava saindo pela porta da frente
- Oi de novo – Disse
- Oi – Sabrina Sorriu
- Ontem no meu quarto me lembrei que tinham me esquecido de me apresentar, meu nome é Gabriela, nos divertimos tanto que nos esquecemos do detalhe dos nomes, o seu é Sabrina né?
- Isso mesmo, eu me apresentei – Disse ironicamente – mas a culpa não é sua, foi uma destração, nos divertimos mesmo, não pensei que seria tão legal, sobre o nome, na minha cidade temos mesmo o costume de chamar todo mundo de “ow” – Sorriu
- Vamos combinar qualquer coisa depois?
- Vamos sim – Concordou Sabrina
Sabrina tinha medo de fazer amizades ali, as pessoas dali eram muito diferentes da sua pequena cidade, ali eram todos muito abertos, enquanto em sua cidade eram muito fechados, mas estava começando a gostar da idéia de fazer amigos, não passaria dois anos ali em um casulo. Entrou pra seu quarto, ao organizar seu material pegou o papel com o numero de Henrique, é claro que ela não ligaria pra ele, mas por um segundo sentiu-se curiosa em relação a ele, mas uma vez se perguntava, o que ele queria com ela, pegou o papel e copiou o numero no celular, colocou para chamar, e antes mesmo do primeiro toque desligou, não teria coragem de falar com ele, pareceria que ela estava se entregando ao jogo dele, jogou o celular na cama, pegou seu atual livro preferido, Eragon, e começou a ler, foi lendo até que pegou no sono, estava cansada, caiu no sono e acordou pouco depois com o celular tocando, ao rolar na cama, seu corpo pesou sobre o celular discou o ultimo numero chamado, era o numero de Henrique, era ele quem ligava de volta. Ela então atenderia para explicar
- Oi, quem fala? – Perguntou Henique
- Sou eu Sabrina, liguei pra você engano, desculpa
- Discou o meu numero, e ligou por engano, isso é sinal de que colocou meu nome na agenda, é um bom sinal ...
- Nada disso, na verdade eu ...
- Sabrina – interrompeu-a – Eu sei do seu segredo
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Não Perca, a qualquer momento a Capítulo 002, intitulado
O Segredo de Sabrina

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